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sexta-feira, 20 de março de 2026

Médico de Família e Comunidade – essa idéia faz bem à saúde

28/11/2006 15h00 – Atualizado em 28/11/2006 15h00

por Maria Inez Padula Anderson Em dezembro a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) comemora 25 anos de atuação no Brasil. Mas afinal de contas, o que é um médico de família e como essa especialidade pode nos ajudar de alguma forma? A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade que visa quatro princípios básicos: o primeiro contato da população com o sistema de saúde, o atendimento integral (independente de gênero, idade ou órgão afetado), o acompanhamento do paciente nas diversas especialidades médicas e o atendimento contínuo. Na prática, isso significa que o médico sabe de toda a vida do paciente, então é capaz de agir de forma preventiva. Por exemplo, uma gastrite pode ter origem psicológica e, muitas vezes, a simples medicação não é suficiente – quando o médico acompanha o cotidiano do paciente e sabe que ele está com outras preocupações, o tratamento é muito mais eficaz porque age diretamente na causa. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a WONCA (Organização Mundial dos Médicos de Família) os médicos que acompanham o dia-a-dia dos pacientes podem diagnosticar e tratar adequadamente cerca de 90% dos problemas encontrados na população. Investimentos em cuidados primários tornam o sistema de saúde de um país mais viável financeiramente, mais equilibrado e justo e aumenta a saúde da população em geral. No Brasil ainda tem-se a idéia de que médico de família só serve às comunidades carentes, mas esse é um conceito equivocado. Na Inglaterra, mais da metade dos médicos do país são general practitioners (denominação local para médicos de família e comunidade). No Canadá e em Cuba representam cerca de 60% de toda a classe médica e na Holanda somam mais de 35%. Os resultados destes países medidos pela OMS mostram que sociedades atendidas por médicos de família têm sistemas de saúde menos dispendiosos, mais igualitários e eficazes. Não apenas a mortalidade é menor, como também o percentual de pessoas que sofrem de doenças como asma, bronquite, problemas cardíacos e até câncer. Ainda de acordo com a OMS isso se explica porque a atenção primária à saúde se dedica à medicina preventiva e mesmo quando as doenças não podem ser evitadas, os diagnósticos costumam acontecer mais cedo, o que agiliza a cura na grande maioria dos casos. A boa notícia é que o Brasil tem avançado nisso: nos últimos cinco anos foram criadas 80 residências em medicina de família. Hoje o país conta com mais de 20 mil médicos de família e comunidade, mas proporcionalmente sua atuação ainda é bem menor que em países como Holanda, Cuba e Canadá. Outro ponto positivo é que alguns planos de saúde privados no Brasil já acordaram para esta realidade e começam a implantar projetos focados em Medicina de Família e Comunidade para seus associados. A dra. Maria Inez Padula Anderson é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade. Com doutorado em Saúde Coletiva, é também professora da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ. PÍLULAS Há basicamente dois tipos de sistemas de saúde: Ø O de atenção primária, em que um médico que acompanha o cotidiano do paciente e fica a par de todos os problemas de saúde já apresentados por ele. Tal sistema é seguido por Cuba, Canadá e a maioria dos países europeus. Ø O de atenção especializada, em que o paciente busca um médico diferente de acordo com os sintomas que apresenta. Esse é o sistema seguido pelos Estados Unidos e também pelo Brasil. As principais doenças detectada precocemente pelo médico de família são: cardiopatias, ansiedade, diabetes, depressão, pressão alta, dor nas costas e hepatite.

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