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sexta-feira, 20 de março de 2026

Plásticos: por que ter medo da China?

24/10/2006 09h54 – Atualizado em 24/10/2006 09h54

() Aparecido de Faria No mundo de hoje, é impossível viver sem ter contato diário com produtos plásticos em suas mais diversas formas. São 8,5 mil empresas brasileiras, das quais cerca de 450 estão na região do Grande ABC, transformando resinas em produtos plásticos e gerando, no país, aproximadamente 258,3 mil postos diretos de trabalho. Em 2005, o faturamento das indústrias transformadoras de plástico foi de US$ 15 bilhões — cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) — e o crescimento nos últimos três anos foi de 15,62% em 2003, 40,95% em 2004 e 21,07% em 2005, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). As principais características dessas indústrias são a heterogeneidade de micro, pequenas e médias empresas, que atendem a quase todas as demais cadeias produtivas do setor de transformação (principalmente os setores de embalagens, construção civil, autopeças, automotivo, eletroeletrônico, fármaco e cosmético); mão-de-obra intensiva, com uma média de 28 empregados por empresa e localização em regiões de maior concentração industrial. Como exemplo, no Estado de São Paulo, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, estão 46,9% do total de empresas, sendo que boa parte dos sócios proprietários provêm do mercado de trabalho, ou seja, já atuaram como empregados em outras empresas. Entre as principais dificuldades do setor plástico podemos citar a falta de recursos para investimento e ampliação dos negócios; as dificuldades em repassar custos de produção, pois o setor transformador está prensado pelo oligopólio da indústria petroquímica (segunda geração da cadeia, responsável por fornecer matéria-prima) e pelas indústrias compradoras, como a indústria automobilística. Há ainda escassez de recursos para capacitação de mão-de-obra, principalmente na formação de lideranças; problemas para administrar os negócios e, finalmente, concorrência do mercado internacional, com destaque para a China. É preciso salientar que a balança comercial do segmento sempre foi deficitária. Em 2004, as importações chegaram a US$ 1,046 bilhão e as exportações, a US$ 793 milhões. No ano passado, as exportações alcançaram a margem de US$ 974 milhões e as importações, US$ 1,233 bilhão, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Esse déficit pode aumentar com uma agressividade maior das indústrias chinesas no comércio internacional. O temor é de que a China comece a ocupar o lugar de muitas empresas transformadoras. Porém, há uma visão equivocada em relação à China, que será a maior potência econômica do mundo em um futuro bem próximo. O país é o berço da concorrência mundial e devota mais do que qualquer outra nação uma boa parte de sua renda para a erradicação da pobreza. Na verdade, ela é um exemplo a ser imitado: com 1,3 bilhão de habitantes, conseguiu, nos últimos 25 anos, retirar da linha de pobreza cerca de 300 milhões de habitantes — mais do que uma América Latina inteira. Desde 1980 é a economia que mais cresce no planeta: no primeiro semestre de 2006, o superávit da balança comercial foi de US$ 61,45 bilhões. O PIB do país é de US$ 7,26 trilhões e o PIB per capita, US$ 5.600. A expectativa de vida é de 70 anos para os homens e 74 anos para as mulheres. A China é o maior mercado do mundo e está na mira de todos os países exportadores. Os produtores de termoplásticos precisam olhar com atenção o modelo chinês e imitá-lo. Uma ótima oportunidade está sendo apresentada pela Abiplast que, por meio da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), está organizando uma missão empresarial para visitar a Feira da Ásia, em Guangzhou, a Chinese Export Commodities, que ocorre no final de outubro. Outra ação interessante, voltada para as indústrias de transformados, é a Rodada de Negócios – Plásticos, que será realizada agora em novembro, em Santo André, e que contará com a participação de companhias e associações internacionais. A verdade é que não adianta os empresários brasileiros de transformados plásticos reagirem de forma negativa às empresas chinesas e continuarem produzindo de forma anti-competitiva. É preciso agregar valor à produção, saindo do chamado “efeito sanduíche”, e trabalhar de forma cooperada, trocando experiências e conhecimento. É isso o que está acontecendo com a China. () O autor é economista e administrador de empresas formado pela Universidade de Uppsala (Suécia).

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