09/10/2006 09h37 – Atualizado em 09/10/2006 09h37
Paulo Rocaro Uma guerra é composta de diversas batalhas, umas pequenas, outras grandes, mas todas de fundamental importância para o resultado final. Assim sendo, podemos considerar que o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil foi apenas uma das batalhas que estão sendo travadas pelo poder central do país. E o derradeiro confronto tem dia e hora definidos para acontecer: 29 de outubro, das 8h às 17h.
Em alguns Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará e Goiás o segundo turno também acontece para escolha de seus respectivos governadores. Todos sabem que, seja nos estados, seja no país, a campanha de segundo turno será muito curta e extremamente polarizada.
Isso porque quando se polariza, há equilíbrio, não importando pequenas margens. Na primeira refrega, quando tinha vantagem e poderia vencer no primeiro turno, Lula obteve 48,61% dos votos válidos. Era mais forte, mas como o próprio presidente diz: “o povo tem mania de ficar do lado mais fraco”. E foi por esta razão que Alckmin chegou a 41,64% dos votos dos brasileiros.
Em que pese os demais candidatos, não foram capazes de empolgar e fazer alguma diferença. Heloísa Helena (6,85% dos votos), Cristovam Buarque (2,64%), Ana Maria Rangel (0,13%), Eymael (0,07%) e Luciano Bivar (0,06%) só conseguiram concorrer com os votos brancos (2,73%), nulos (5,68%) e abstenções (16,75% do total de votos). Tudo está equilibrado agora, inclusive o tempo na televisão, que começa esta semana com dois blocos diários de 20 minutos para cada candidato, indo ao ar às 13h e às 20h30. Nos dez estados em que haverá segundo turno, os candidatos a governador também terão dois blocos de 20 minutos, que seguirão os programas dos presidenciáveis e inserções. E no ‘pau-a-pau’ é conveniente lembrar que uma força em ascensão, como é o caso do repentino crescimento nas urnas de Geraldo Alckmin, é mais difícil de ser contida, embora não impossível. Se o Lula não debulhar a ‘palha’ em Mato Grosso do Sul, por exemplo, para arregimentar a militância e não mobilizar suas principais lideranças políticas, pode levar um cacete sem precedente no Estado.
Dependendo de quem for comandar este esquema político na região de fronteira, por exemplo, é bem provável que nem aqui ele consiga passar seu oponente, mesmo sendo favorito para vencer, tendo passado ao segundo turno com maioria dos votos e recebendo forte apoio das camadas populares, que constituem a maioria do eleitorado. Quem avisa, amigo é. * O autor é escritor, jornalista e presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã.

