09/10/2006 15h32 – Atualizado em 09/10/2006 15h32
Manoel Pimenta de Queiroz Neto – Técnico em Meio-Ambiente
Por tentar falar com a prefeita por vários meses consecutivos e por não obter êxito é que me senti na obrigação de enviar esta carta a imprensa, na tentativa de sensibilizar o maior número possível de pessoas e até mesma a própria prefeita e secretaria do meio-ambiente, de que os problemas na lagoa maior vão se agravar muito com a temporada de chuva. Pois bem, nasci em Três Lagoas, mas graças ao meu pai eu tive o privilégio de morar nas melhores cidades do país, cidades estas até mesmo referência em meio-ambiente e com isso pude absorver muito do que é realmente um meio-ambiente saudável. Infelizmente cursei engenharia e posteriormente arquitetura não podendo conclui-los, me vi na obrigação de entrar em uma nova área. Graças ao meu pai novamente pude fazer e concluir um curso de meio-ambiente que possibilita hoje com o conhecimento adquirido, fazer uma análise triste da situação da natureza da nossa cidade. Se fizermos uma análise hoje, chegamos a constatar que a degradação vem aumentando e que não se aplica os recursos oriundos das compensações seja ela feita pela Cesp ou pela Petrobrás realmente em recuperação do meio ambiente impactado. As compensações são acertadas por baixo sem levar em conta uma série de problemas.Quando a Cesp nos pagou a compensação, esta foi das Áreas de APP invadida pela água do reservatório.Com isso, então o que esta sendo impactado é a mata ciliar da borda do rio.Então, não seria lá que deveríamos fazer o trabalho de compensação do meio? Pois é, pasmem, ainda existem 6mil Km de borda para serem replantadas e infelizmente o dinheiro da compensação da Cesp já era. Por outro lado, ela, a Cesp, desativou 50% do viveiro de mudas enquanto que teria que ser ao contrário, e como agravante, a Cesp não tem um programa de plantio e está até mesmo descartando mudas, o que é um crime ambiental, e o absurdo e incrível de tudo isso é que nenhuma autoridade toma o menor conhecimento, como se isso já fosse um procedimento normal, enquanto que o normal seria estar replantando onde foi impactado. Para complicar, agora formou-se uma associação de rancheiros para tentar atrapalhar os TACs impostos pela Promotoria. A maioria dos rancheiros invadiu ou agrediu de alguma maneira a mata ciliar e hoje é contra recuperar isso. Esquecem os proprietários de rancho e a própria Cesp, que ecologia é vida e vida é arvore plantada, principalmente nas bordas dos rios e dos lagos, na tentativa de conter uma série de intervenções feita por nós mesmos. Se não bastasse, a Cesp que é também responsável pela fauna do Rio Paraná, Sucuriu, Verde e outros, tem a “cara-de-pau” de funcionar com apenas 10% da capacidade da piscicultura, que diga-se de passagem é uma das melhores e maiores do pais, em contraste com os rios mais pobres em peixes da região. De novo, será que já é normal esse procedimento? Porque nenhuma autoridade toma providências? A Petrobrás, além da área usada pela usina, ela atravessou de fora a fora o recanto das capivaras, que é uma área de preservação permanente para escoar as águas de chuva da área do pátio da usina, por esses e outros motivos pagou uma compensação que vai ser aplicada no parque das lagoas. Mais uma vez, será que a natureza vai ser beneficiada mesmo? Observando o entorno da lagoa, e ouvindo dizer que o parque das lagoas vai ser encomendado fora da cidade, eu fico pensando pra onde será que foram todos os profissionais da área que moram em Três Lagoas e será que uma secretaria do meio-ambiente com varias pessoas formadas não conseguem fazer se quer um projeto de implantação de um parque? Chego a ficar preocupado porque se não temos ninguém na cidade com capacidade para fazer esse projeto, será que vamos ter condições de pelo menos analisar se o que vem se fora á bom mesmo ou não? Tirando pela Praça da Bandeira, que me desculpe a prefeita, mas é a praça que foi construída desobedecendo todas as regras e parâmetros normais oferecidos pela própria natureza, e que por incrível que pareça, hoje e por um bom período, é mais parecida com uma praia do que com uma praça. Se o projeto peca em tantos pontos e foi encomendado fora, temos que ter muito critério ao analisar esse novo projeto do parque das lagoas, que queira ou não marca o começo ou o fim de um sistema natural que por ser muito sensível não agüenta mais qualquer tipo de intervenção humana. Novamente, observando o entorno da lagoa principal e a maneira com que a secretaria vem fazendo o manejo na mesma, ficamos muito preocupados porque infelizmente a equipe encarregada deste manejo ou não sabe ou vem fazendo do mesmo um “cabide de emprego”. Por incrível que pareça, em dois meses é a quarta vez que se dá a poda da grama.Se não bastasse, internamente, por conta de manter o nível de água da mesma, bem a baixo do ideal eles são obrigados a fazer uma manutenção na margem por conta do mato que brota das regiões que secam. Parece que o nível baixo, apesar de prejudicar bastante a sobrevivência dos seres vivos que ali habitam, favorece mais uma vez a se gastar mais dinheiro com manutenção. Se subirmos o nível, melhora bastante o meio-ambiente dentro da água e ao mesmo tempo não deixa que a vegetação nasça nas bordas, evitando gastos consecutivos com manutenção. È muito triste ver tanto dinheiro gasto em poda de grama e que, além disso, depois de dois anos, ainda ver a secretaria do meio-ambiente plantar uma série de clones que ainda estavam nos tubetes. Por incrível que pareça, apesar de ter tido tempo suficiente para preparar essas mudas para ir a campo, foram plantadas no local sem a menor tecnologia para lançamento delas no solo. As palmeiras que foram plantadas também carecem de correção no plantio, porque a parte principal da palmeira Imperial, que é o bojo, tem que ficar totalmente exposto, porque esse enterrado, pode apodrecer e, caso isso não aconteça, sua parte mais contemplativa da planta vai ficar escondida no solo. Plantar árvores em “fila indiana” é dizer que não se tem um projeto para isso. No entorno da lagoa principal, temos varias áreas com problemas seríssimos de compactação de solo, que mereciam ser reflorestadas para que conserve melhor a umidade do local e conseqüentemente o lençol freático abastecido. No meu modo de entender, não sabem ou estão fazendo da poda da grama e do plantio de mudas um “cabide”,das duas uma, ou não sabem mesmo plantar árvores e podar grama ou realmente é uma “cabide”. Tudo isso nos deixa triste, mas, o que mais entristece, é saber que a temporada de chuva vai chegar, e não se fez nada para conter a poluição, a contaminação e o assoreamento. Estão falando e já fizeram uma primeira tentativa de limpar as lagoas de contenção, enquanto que poderia-se gastar esse valor para desviar essas águas das caixas de retenção para a galeria de água de chuva. Limpar as caixas no período chuvoso é “jogar dinheiro no mato” e além disso é perigoso por deixar o lençol freático muito vulnerável. Sem contar a irresponsabilidade fantástica de quem teve a infeliz idéia de estourar a boca da caixa de retenção e que permite a dias que a água depositada na caixa entre para dentro da lagoa principal in natura. Vejam só a incoerência que é pegar uma água poluída, até mesmo contaminada, lança-la dentro de um reservatório de água limpa (Lagoa principal) no intuito de limpá-la para conter a próxima chuva. Se eu faço isso, no mínimo estou sendo incoerente se não negligente. Por outro lado, este é o segundo ano que a secretaria tem conhecimento do sistema. Infelizmente, não tiveram a capacidade de analisar que uma chuva basta para encher a caixa de retenção e que o restante da temporada, a água extravasa na boca de contenção entrando para dentro da Lagoa com tudo. Sabedores disso, teriam gasto menos dinheiro do que o que vão gastar, porque
dizem que gastarão 57 mil reais só para limpá-las, para desviar esta água com tubos a céu aberto ou até mesmo usando de bombas. Com isso, metade desse dinheiro, eles ligariam uma lagoa a outra com meio tubo a céu aberto para facilitar a manutenção e custo, e ligariam assim, automáticamente na galeria de chuva. Fiz um trabalho de conclusão de curso de meio-ambiente intenso na Lagoa maior, e tenho como provar que é possível chegar a contaminação e a poluição próximas de zero. Só que, com o entendimento quase nenhum da secretaria, com relação ao manejo do sistema de apoio, que diga-se de passagem, é ótimo e necessário para mantermos o lençol freático abastecido, para que mais tarde ela não venha a secar. É preocupante! Mais uma vez é preciso prestar atenção se não estamos cometendo um pecado com a natureza, para que não seja tarde para nos arrependermos. Precisamos interagir de corpo e alma com a natureza do lugar, para saber exatamente o que ela precisa para manter-se equilibrada do contrário, ela poderá ter reações catastróficas e ser desastroso para a comunidade em si. Portanto, venho, de coração, pedir para que os órgãos envolvidos na manutenção do sistema, principalmente prefeitura e Sanesul, corrijam rapidamente o seus erros para que não venhamos deixar o sistema irreversível e de difícil recuperação. Para finalizar, não podemos esquecer que o nosso referencial são as 3 Lagoas, de onde viemos a ser Trêslagoenses e que sem elas, vamos perder o “Norte”, e ai, só Deus para ter piedade.


