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sábado, 21 de março de 2026

Um novo olhar sobre a deficiência

20/09/2006 15h39 – Atualizado em 20/09/2006 15h39

*Camila Lopes O tema “deficiência” remete não só a dificuldades físicas, mas a fraquezas humanas também. Cada pessoa tem suas limitações, ou seja, suas deficiências – o que, muitas vezes, chega a impedir o progresso. Trata-se de uma condição inerente aos seres humanos e que, quando dotada de preconceito para com aqueles que têm dificiências físicas, é muito perigosa. Ainda existem pessoas que temem o convívio com quem necessita de cuidados especiais ou que apresenta alguma privação visual, auditiva, mental ou motora. Talvez, por cultivar a falsa idéia de que os deficientes são pessoas incapazes, ou, pior, por acharem que podem lhes fazer algum mal. É imperativo, então, reprogramar essa idéia e perceber que todo ser vivente pode ser muito bom em algumas tarefas e nem tão bom em outras. Certamente, uma deficiência física não impede a pessoa de descobrir seus talentos passíveis de serem explorados. O deficiente físico precisa de oportunidades, de pessoas que acreditem nele e o estimulem a se desenvolver, a crescer e a ocupar seu espaço de direito. Certamente, ele dispensa sentimentos de pena e dó, porque não quer ser tratado como criança a vida inteira. Esse preconceito que o isola e limita é que precisa ser revisto na sociedade. Rejeitar um deficiente é rejeitar o próprio Cristo. Todos, criados à imagem e semelhança de Deus, têm a Sua essência e, como parte de um quebra-cabeça, cada pessoa é uma peça singular, fundamental. A inclusão social vai ao encontro dessa necessidade de transformação da sociedade, de se cultivar um novo olhar sobre os deficientes físicos. Incluir quer dizer inserir no meio, fazer do incluído parte do conjunto, “igual” ao conjunto. Incluir significa superar barreiras, quebrar mitos e ‘pré-conceitos’. A verdadeira inclusão se dá quando o conjunto se adapta ao incluído e não o contrário. É muito fácil colocar o deficiente físico em uma sala de aula e simplesmente cobrar dele o mesmo acompanhamento da turma, ou, pior ainda, aprová-lo por dó. São Paulo já dizia, em uma de suas cartas, que “devemos suportar-nos uns aos outros”. Não no sentido de aturar ou agüentar, mas de ser suporte. Quando uma pessoa ‘suporta’ a outra, contribui para sua ascensão. Isso é o que deve ser feito e que já está em andamento em alguns segmentos da sociedade.A missão “Mãos que Evangelizam”, da Fundação João Paulo II (Canção Nova), atende deficientes auditivos em todas as suas necessidades, oferecendo tratamento fonoaudiológico – para que os surdos possam ser incluídos no mundo sonoro – e o curso de LiBraS (Linguagem Brasileira de Sinais), ministrado por uma deficiente auditiva. Vale ressaltar que grande parte dos alunos que buscam aprender a se comunicar através de sinais é formada por professores, familiares e colegas de trabalho de surdos, o que demonstra um avanço social. Mais do que isso, é um exemplo a ser multiplicado em outros segmentos. Esse é o caminho da verdadeira inclusão, da verdadeira união entre as pessoas e da superação das diferenças. *Camila de Figueiredo Maurício Lopes é fonoaudióloga e coordenadora da Missão Mãos que Evangelizam, da Fundação João Paulo II (Canção Nova) // www.cancaonova.com

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