06/09/2006 09h18 – Atualizado em 06/09/2006 09h18
*Dionesio Dutra Paulon Estamos em ano de eleições e os candidatos que pleiteiam ocupar uma cadeira nas assembléias enfrentam-se para conquistar seus eleitores. Suas campanhas são as apresentações de projetos para solucionarem as crises econômicas, os problemas sociais internos do nosso país, bem como ataques pessoais aos candidatos concorrentes, mas tudo isso faz parte da democracia, afinal esse é o jogo das eleições em que, para conquistar o voto, para alguns, vale tudo. E, envolvido nesse clima, nós eleitores começamos a ficar com nossas ideologias à flor da pele, para decidirmos o que será melhor para as nossas vidas, escolhemos e também brigamos por eles, fazendo parte desse processo que envolve toda a nação brasileira, e com certeza, a vontade da maioria prevalecerá. No entanto, a inconformidade trazida pela “antecipação” através das pesquisas do resultado dessas eleições traz à tona uma chaga muito dolorida da nossa história, o preconceito. Tenho recebido alguns e-mails altamente preconceituosos em que a vítima é o eleitor, que passa a ser humilhado pela sua escolha, considerado “incompetente”, e essa foi uma das palavras mais amenas que escolhi pra descrevê-lo. Infelizmente, a essência da democracia que é a igualdade, a liberdade de escolher e de fazer prevalecer a vontade da maioria, está sendo esquecida. Vale lembrar que muitas pessoas morreram nos porões da ditadura lutando para conquistar o nosso direito de escolha. Precisamos aprender que todos temos direitos: negros, brancos, índios, ricos, pobres, todos somos brasileiros, filhos do mesmo Brasil. E eu até diria mais, filhos de um mesmo Deus. Não somos diferentes por estarmos em classes sociais diferentes ou por pertencermos a crenças diferentes. Alguns não têm nada a não ser o direito de poder escolher a sua ponta de esperança e, pensar em tirar isso de alguém, é impor nossa tirania, é a maior demonstração de falta de consciência política. É a nossa imaturidade que faz com que fiquemos emburrados como agíamos na infância, só porque não fomos vitoriosos no nosso joguinho. Está na hora do Brasil crescer, amadurecer em sua democracia e saber que sempre haverá oportunidades para escolhermos novamente. A democracia é o regime em que todos têm igualmente, direito a cultivar seus próprios valores e modos de vida, desde que isso não importe em subordinar ou oprimir outros grupos e pessoas (Comparato, 1993). *É acadêmico do 7º Semestre de Relações Internacionais


