28/08/2006 08h47 – Atualizado em 28/08/2006 08h47
- Paulo Rocaro Conforme a campanha se desenrola, percebemos que permanece viva a tática da vaselinagem política, onde os candidatos, como ‘bagres ensaboados’, lançam mão de estratagemas para tentar conquistar o voto do eleitor. No final de semana o ex-prefeito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB) deu o ar da graça em Ponta Porã. Numa reunião no sindicato rural, falou o que os produtores queriam ouvir, reforçando suas declarações na imprensa de que vai jogar duro com os sem-terra, por exemplo, cortando-lhes as cestas básicas e baixando o pau se houver bloqueio de rodovias. Apesar de ser fraquinho de discurso, deu a entender que vai fazer o jogo do latifúndio. Quando o assunto foi Fundersul, o presidente do Sindicato Rural, Ronei Silva Fuchs sapecou o pedido do fim deste recolhimento, que estaria prejudicando os produtores. Puccinelli desconversou, ‘vaselinou’ e acabou dizendo que não tem como acabar como esta entrada de recursos, prometendo rediscuti-lo, de forma a desonerar a classe produtora. Por ele, o Fundersul vai continuar. À noite, Puccinelli mandou o prefeito Flávio Kayatt trazer as lideranças dos assentamentos para um encontro no União Tênis Clube. Metade ‘vasou’ da porta do UTC, mas quem ficou ouviu um discurso diferente do candidato ao governo. Ele ‘desdisse’ quase tudo o que havia falado no Sindicato Rural, tentando amenizar os efeitos de sua ‘bronca’ com os trabalhadores rurais. Enquanto isso, o senador licenciado Delcídio do Amaral (PT), que também disputa o Governo do Estado, dizia em entrevista à TV que pretende suspender a cobrança do Fundersul da pecuária e da agricultura e que a contribuição continuará sendo cobrada apenas sobre a gasolina e o óleo diesel. Prometeu, ao contrário de seu adversário, manter os programas sociais. Na base do ‘bate e assopra’ os dois vão tocando suas campanhas, enquanto o eleitor assiste um amontoado de propostas que, em sua maioria, nem um nem outro têm condições de cumprir por causa do aperto financeiro existente no erário público. Uns fingem que acreditam, outros se iludem. E assim vai, sem uma terceira via que empolgue pelo menos os que querem sobreviver. * O autor é escritor, jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente


