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terça-feira, 9 de junho de 2026

Marcelo Lippi decide deixar o cargo de técnico da Itália

12/07/2006 10h53 – Atualizado em 12/07/2006 10h53

Estadão

O técnico Marcelo Lippi anunciou nesta quarta-feira que não prosseguirá no comando da seleção italiana, três dias depois de levar a Azzurra ao tetracampeonato da Copa do Mundo, com a vitória sobre a França por 5 a 3, nos pênaltis, após empate por 1 a 1, no último domingo, no Estádio Olímpico de Berlim. “Depois de uma experiência extraordinária, humana e profissional, com uma equipe de primeiro escalão, acredito que chegou ao fim meu trabalho como técnico da seleção italiana”, disse o treinador, em anúncio divulgado pelo site da Federação Italiana de Futebol (FIGC). Lippi assumiu o cargo em 2004, após a eliminação na primeira fase da Eurocopa, e sofrer apenas duas derrotas, ambas surpreendentes: 2 a 0 para a Islândia, no amistoso que marcou sua estréia, e 1 a 0 para a Eslovênia, no início das Eliminatórias para a Copa. “Gostaria de agradecer à Federação pela fé que depositou sobre mim nesses dois anos de trabalho, coroado com um resultado que ficara na história do futebol italiano e no coração de todos os torcedores.” O técnico já anunciou que não pretende parar de trabalhar, mas não quis falar sobre seu futuro. Cotado para assumir o Manchester United, disse durante a Copa que não podia ocupar o cargo por não saber falar inglês. “Vou continuar trabalhando, mas essa decisão é irrevogável”, disse Lippi ao deixar um hospital em Turim, onde visitou o ex-zagueiro Gianluca Pessotto, que se recupera de uma queda da sede da Juventus, clube do qual assumiu a gerência recentemente – a polícia ainda investiga se foi mesmo uma tentativa de suicídio. Lippi foi citado no escândalo que atinge o futebol italiano e pode rebaixar Juventus, Milan, Lazio e Fiorentina. Chegou a ser acusado de convocar jogadores sob encomenda de seu filho Davide, que trabalha numa empresa de agenciamento de atletas de propriedade de Alessandro Mogi, filho de Luciano Moggi, ex-dirigente da Juventus flagrado em conversas comprometedoras com dirigentes da FIGC. Segundo a imprensa italiana, esse foi um dos motivos que o levou a deixar o cargo, por estar cansado de ver seu nome ligado ao escândalo. O vice-presidente da Federação, Giancarlo Abete, agradeceu ao treinador por seu “extraordinário profissionalismo”. “Ele já havia dito, na primeira fase da Copa, que não ficaria no cargo, qualquer que fosse o resultado”, revelou Abete. Entre os candidatos ao cargo estão o ex-técnico do Milan Alberto Zaccheroni e dois ex-jogadores recentes da seleção: Roberto Donadoni, que disputou as Copas de 90 e 94, e Claudio Gentile, campeão do mundo em 82. O próximo compromisso já agendado dos campeões do mundo é um jogo contra a Lituânia, no dia 2 de setembro, pelas Eliminatórias da Eurocopa de 2008, que será disputada na Áustria e na Suíça. Quatro dias depois, pelo mesmo torneio, haverá a revanche da final da Copa, contra a França, em Saint-Denis. Para a data-Fifa de 16 de agosto, a Azzurra ainda não tem adversário definido.

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