13/06/2006 09h21 – Atualizado em 13/06/2006 09h21
Terra
A Seleção Brasileira enfrenta a Croácia, nesta terça-feira, na abertura da Copa do Mundo da Alemanha, em um estádio erguido por Adolf Hitler em 1936. Pérola do nazismo, o estádio Olímpico de Berlim foi modernizado, mas o passado não foi apagado. Propositalmente. Como tudo na Alemanha destes novos tempos, a barbárie do Furher freqüenta o cotidiano do país sem cerimônia, numa forma de encarar o passado, e exorcizá-lo. Reinaugurado oficialmente em julho de 2004, o estádio será utilizado também para a final da Copa do Mundo, no dia 9 de julho. Com capacidade para 75 mil pessoas, foi construído originalmente entre os anos de 1934 e 1936, para hospedar a Olimpíada de Berlim, durante o regime nazista. Hitler tinha a intenção de provar durante os jogos que o povo da raça ariana era superior aos outros. Porém, um norte-americano, de origem afro, Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro nos 100 m, 200 m, revezamento 4×100 m e no salto em distância, e o plano desabou. Logo após a 2ª Guerra Mundial, o estádio foi propositalmente esquecido – chegou a ser a sede do quartel-general britânico. No projeto de modernização, no entanto, a era Hitler vai ser sempre lembrada no novo estádio. Um pequeno museu na entrada principal explica sua história através de 35 vitrines informativas espalhadas pelo estádio. Uma delas registra o local onde o líder nazista assistiu Owens destruir o seu sonho. A obra, que custou 242 milhões de euros (R$ 701,8 milhões) ao governo alemão, valorizou o campo de futebol, mas preservou a pista atlética, para atender tanto as exigências da Fifa como da IAAF, a confederação internacional de atletismo. O acesso ao estádio é feito pelo subsolo, onde também foi construído um estacionamento VIP para 630 carros. No porão do estádio, onde foi encontrada enterrada uma bomba britânica de 227 kg, nasceu uma pista de aquecimento de 50 metros. A fachada de pedra cinza da edificação histórica não foi modificada, mas surgiu um teto em forma de asa, que protege os espectadores da chuva, com uma delgada estrutura de aço suportando uma membrana translúcida. O teto só é interrompido em frente ao Portão da Maratona, marco arquitetônico do estádio. O principal usuário do local é o Hertha Berlim, time da capital alemã, que mesmo durante as obras mandou seus jogos no local, mas com capacidade reduzida – cerca de 55 mil pessoas. A prefeitura da cidade, no entanto, sonha mais alto. Além da final do Mundial de 2006, o Estádio Olímpico de Berlim espera ser sede do Mundial de Atletismo de 2009. E anseia ainda que o novo projeto seja a ponta de lança de uma nova candidatura da cidade para os Jogos Olímpicos.





