10/06/2006 08h25 – Atualizado em 10/06/2006 08h25
Terra
O prefeito de Koenigstein, Leonhard Helm, abre a porta de sua sala antes mesmo da secretária completar a ligação para anunciar a chegada da reportagem do Terra. Sem um minuto sequer de espera, ele se diz pronto para o início da entrevista. Apesar do sorriso congelado no rosto e um balançar lateral que denuncia certo nervosismo, o político não tenta fugir de nenhuma pergunta. A gravata verde e amarela é usada sem constrangimento apesar do contraste com o terno cinza, assim como a homenagem ao Brasil não impede a sinceridade em revelar a mistura de sentimentos com a decepção.Helm preparou a cidade para receber até 10 mil turistas por dia durante o período de treinos da Seleção Brasiléia. No entanto, o número de visitantes da região localizada na periferia de Frankfurt não tem atingido os 10% da previsão inicial. O dia de maior movimentação foi o de chegada dos jogadores, na segunda-feira, feriado de pentecostes. Depois, no entanto, a clausura das estrelas espantou os curiosos.”No feriado, as pessoas tiveram tempo de ficar aqui pelas ruas. Depois, alguns ainda esperavam que os jogadores aparecessem, mas isso não aconteceu. Estão decepcionados”, contou o prefeito.”É decepcionante para as pessoas, principalmente as crianças e os grandes fãs, que querem ver os melhores jogadores do mundo. Se as estrelas não aparecem, não é o mesmo. Existem conversas para convencê-los de que aparecer alguma vez seria legal. Mas eles são grandes estrelas e só fazem o que querem…”, lamentou.Helm tem de engolir o contraste com a primeira fase de preparação da Seleção. Ele visitou a cidade suíça de Weggis, onde os treinos eram abertos ao público e o número de visitantes em um dia chegou a ultrapassar a marca de 20 mil.”Aqui, se abríssemos os treinos, seria um problema também. Haveria 30 mil pessoas na cidade, mas nem todas poderiam entrar no estádio”, lamentou o prefeito, ciente da falta de estrutura da Arena Zagallo, que fica dentro de uma escola e tem arquibancada tubular com capacidade para 800 pessoas. Apenas com a presença de jornalistas e convidados, o local já fica praticamente intransitável.Na primeira e última chance dos alemães verem de perto um treino dos pentacampeões, a atividade precisou ser levada para fora de Koenigstein. 25 mil torcedores se espremeram para acompanhar o trabalho dos astros, nesta quinta-feira. “Fiquei muito feliz quando deram os convites para as crianças de minha cidade irem ao treino de Offenbach. Se não puderam ver aqui, pelo menos foram até lá”, disse.O prefeito também reconhece que existe resistência de moradores, que tiveram o fim da tranqüilidade decretada desde as chegada da delegação oficial e a multidão de jornalistas. “A maioria das pessoas está orgulhosa, mas alguns ficam realmente bravos. Tive pequenos problemas, como alguns que não quiseram ter banheiros químicos colocados em frente as suas casas”, contou.No cargo há apenas um mês, Helm acredita estar lidando bem com a situação exótica, apesar da intensidade do trabalho. “Já tive outros desafios na minha vida, mas este é o maior pelo fato de ter tantas pessoas vendo o que faço. Vou dormir perto da meia-noite e acordo às 6h todos os dias. Os dias são longos. Quando chego em casa, tudo que quero é deitar e descansar um pouco”, disse.Fã de automobilismo e amigo do alemão Nick Heidfeld, piloto da equipe BMW de Fórmula 1, Helm assume não entender muito de futebol, mas sabe a importância política de ter um produto como a Seleção Brasileira por perto. Por isso, planeja construção de um monumento para eternizar a passagem dos craques.”Vamos levar essa experiência para sempre. Todos estão dando duro. Acredito que mais pessoas virão a Koenigstein. A cidade está ficando mais conhecida com a divulgação pela imprensa”, comemorou.





