03/10/2013 15h52 – Atualizado em 03/10/2013 15h52

Enem: O que é compreender fenômenos

Mais do que informação, o exame irá cobrar a capacidade dos estudantes de relacionar conhecimentos

Tadeu da Ponte

Estamos a alguns dias do principal exame de 2013, o Enem, que acontece em 26 e 27 de outubro. Até o dia da prova, muitas dúvidas surgem para os estudantes, não só no que diz respeito ao conteúdo da prova, mas também nos seus aspectos estruturais, que devem ser muito bem entendidos para o melhor aproveitamento e rendimento de cada participante.

Um desses aspectos importantes para se ter em mente é que o Enem avalia em cima de cinco eixos cognitivos a capacidade de mobilização do conhecimento adquirido pelo estudante para compreender o mundo, resolver problemas e atuar como cidadão. A compreensão de fenômenos é um desses cinco eixos, que cobra ainda domínio de linguagens, enfrentamento de situações problema, construção de argumentação e elaboração de propostas.

Apesar de autoexplicativo, nem sempre os estudantes se dão conta quando é necessária a compreensão de fenômenos para entender um problema e aplicar seu conhecimento para resolvê-lo. É comum alguns deles pensarem no termo fenômeno como pertencente ao campo das ciências naturais, porque o aluno tende a pensar nos fenômenos que ele conhece (por exemplo, transformação de gelo em água no estado líquido). No entanto, envolve mais do que as informações acumuladas pelo estudante até hoje. Trata-se de como ele consegue conectar as informações das mais diversas áreas, umas às outras, identificando novos conhecimentos e interpretando o mundo com seus fenômenos naturais, seus processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

Os impactos ambientais dos desmatamentos, como os que acontecem na Amazônia, e os desdobramentos do consumo de energia nos países mais desenvolvidos, como nos Estados Unidos, são exemplos de temas que podem ser pedidos no exame. Da mesma forma, as consequências de movimentos sociais, como do Egito, e sua relação com a era digital, com as redes sociais, devem ser também focos de atenção.

Em outras palavras, o Enem requisita que os alunos não apenas saibam de questões e temas como esses, mas também que eles consigam analisá-los e avaliá-los para entender o que é pedido no exame, para então, a partir de seu conhecimento, resolver as questões. Mais do que apenas de lembrar, decorar ou mesmo saber de uma informação, o Enem cobra dos estudantes a capacidade de conexão, de relação entre temas.

Esse é uma dos principais diferenciais do exame e que lhe confere o título de mais importante do Brasil.

É bacharel e mestre em matemática pelo IME-USP e completa, em 2013, 16 anos de docência. Especializou-se em métricas educacionais e testes realizados em computador, especificamente em TRI (Teoria de Resposta ao Item) e Computer Adaptive Testing (CAT). É diretor da Primeira Escolha (www.primeiraescolha.com.br), empresa brasileira de avaliações educacionais, e consultor nas áreas de gestão baseada em indicadores e métodos quantitativos aplicados. É criador do site Estação Curiosidade (www.estacaocuriosidade.com.br), que auxilia estudantes a se prepararem para o Enem, e membro do National Council on Measurement in Education (NCME) dos Estados Unidos da América. É também professor do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa, na área de métodos quantitativos, além de Coordenador Executivo do Vestibular da instituição.

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