18/04/2013 15h20 – Atualizado em 18/04/2013 15h20

Eduardo Martins

O Brasil é considerado uma potência em mineração, e o setor é um dos que têm mais relevância na economia do País. Só para termos uma ideia do peso dessa indústria, de acordo com o Plano Nacional de Mineração, os investimentos previstos em pesquisa mineral, mineração e transformação mineral totalizarão US$ 270 bilhões até 2030, além de mais 30% sobre este valor em infraestrutura e logística.

Apesar das boas perspectivas, um detalhe tem gerado preocupação para a indústria nos últimos meses: a dependência do Brasil com relação ao preço do minério de ferro, seu principal produto. A redução do apetite chinês por esta commodity causou um impacto negativo nas companhias brasileiras de mineração, o que deixou investidores apreensivos, criando um ambiente de incertezas. Estas questões tendem a acertar em cheio as empresas menores, que sentirão mais os efeitos da queda dos preços. Por outro lado, criam um cenário favorável para as vendas de ativos, que podem ser constatadas pelo aumento gradual do número de fusões e aquisições no segmento. Em 2009, foram anotadas apenas nove operações, enquanto que em 2012 foram 23. Números que demonstram que a indústria de mineração ainda gera boas oportunidades e que seu crescimento não está próximo do fim.

Tudo indica que vai haver uma expansão moderada da demanda global por minérios e metais, o que deve levar muitas empresas a repensar os seus planos de negócio, realocar capitais e reduzir custos, além de ser necessário desenvolver a habilidade de negociar com os clientes em um cenário de volatilidade de preços.

Para manter-se competitiva, a indústria ainda precisa enfrentar alguns gargalos do mercado interno que norteiam o futuro do setor no Brasil e ainda estão em discussão. Alguns desses desafios são a carência de mão de obra especializada, a demora na entrega de equipamentos, a questão da logística e a relação com a cadeia produtiva.

Porém, atualmente, um dos pontos mais preocupantes é a definição de um marco regulatório a partir da implantação do Código de Mineração. Inclusos nessa discussão estão fatores como a mudança na cobrança de royalties sobre a exploração de minérios, a concessão de licenciamentos ambientais e a criação de uma agência reguladora para o segmento.

A implementação do novo Código, desde que concluída brevemente, pode ser considerada um avanço, e terá como foco tornar o processo e a gestão mais eficientes e atraentes aos investidores. Enquanto isso, a indústria de mineração segue à espera de definições, um pouco à deriva e reagindo sem grande planejamento às exigências do mercado.

Eduardo Martins é líder do setor de Mineração da KPMG no Brasil.

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