04/05/2015 14h16 – Atualizado em 04/05/2015 14h16

Tendo em vista o alto índice de mortes de animais silvestres nas rodovias e a falta de infraestrutura adequada para atender os que necessitam de assistência

Assessoria

O vereador de Três Lagoas, Beto Araújo, se reuniu na manhã da última quinta-feira (30) com o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico e diretor do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL) Jaime Verruck, para reivindicar a implantação de um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) no município.

Desde março de 2014, a pedido e por iniciativa do vereador, o presidente da SOS Fauna, organização não governamental paulista que opera em todas as questões relacionadas ao tráfico de animais silvestres no Brasil, Marcelo Pavlenco Rocha, tem participado de forma ativa de ações que visam encontrar soluções para os problemas que agridem a fauna silvestre sul-mato-grossense. Marcelo lida com esta problemática desde 1989, sendo que seu conhecimento é peça importante no sentido de mudar esta triste realidade.

Um dos referencias que ilustram bem o que é a SOS Fauna foi o da primeira soltura de papagaios-verdadeiros apreendidos em São Paulo e que puderam regressar ao Mato Grosso do Sul, em 2012. Foi a primeira vez que aves desta espécie e originárias dos sertões do cerrado sul-mato-grossense puderam regressão à vida livre, na mesma região de onde foram retiradas, quando ainda filhotes.

CRAS EM TRÊS LAGOAS

Segundo o vereador, já existe um parecer técnico do IMASUL que demonstra a necessidade de um CRAS em Três Lagoas. “A pressão da monocultura do eucalipto na região ocasiona supressão de habitat à fauna silvestre nativa localmente, fazendo com que inúmeros animais se desloquem para áreas de risco, como é o caso das rodovias, tentando buscar áreas de cerrado, cada vez mais suprimidas e ficando escassas por consequência das vastas florestas de eucaliptos, verdadeiros desertos verdes”, explicou Beto Araújo.

O objetivo da criação do CRAS vai além de trabalhar no suporte à vida dos animais atropelados, amenizando o sofrimento destes, mas também busca dar suporte às autoridades locais, 24 horas por dia, sete dias por semana em apoio às apreensões envolvendo animais silvestres vítimas do tráfico, já que Três Lagoas é uma das principais rotas do tráfico de vida selvagem sul-mato-grossense destinada aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Além disso, um CRAS permite operacionalizar de forma mais dinâmica o trabalho de recolocação de animais silvestres apreendidos à vida livre. “O único CRAS de Mato Grosso do Sul é o da Capital. Devido à distância, 330 quilômetros de Três Lagoas até Campo Grande, muitos animais são socorridos, mas não resistem e acabam morrendo nesse trajeto”, continuou o parlamentar.

CETAS

Em Três Lagoas, será construído um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), ao lado do Projeto Florestinha (na Cia da PMA – Polícia Militar Ambiental), com o objetivo de atender com rapidez os animais silvestres acidentados próximo ao município. “É um espaço importante, mas não suficiente. Necessitamos de área maior, de forma que os animais tenham acesso a tratamentos mais complexos e com infraestrutura adequada até sua total recuperação”, defendeu o vereador.

O secretário Jaime Verruck reconheceu a gravidade do problema quanto ao atropelamento e principalmente à recuperação desses animais. “Deixamos claro que o IMASUL tem feito seu trabalho e que há a necessidade de ampliarmos o que já temos que não é o suficiente para atender plenamente. Vamos definir um projeto conjunto para ver se construímos um novo CRAS no município. Não descartamos a possibilidade desse Centro ser construído na região da Bacia do Paraná. Temos uma equipe que pode apresentar um projeto bastante consistente”, analisou o secretário da SEMADE.

“Ficamos felizes com essa reunião e acredito na possibilidade da viabilização desse projeto. O próximo passo é verificar uma outra área para implementação do CRAS. Já existe um projeto onde está sendo construído o Centro de Triagem para os animais silvestres, mas não é um lugar que poderia atender a complexidade do Centro de Reabilitação.

RODOVIDAS

Na reunião, o vereador Beto Araújo ainda apresentou ao secretário o projeto RODOVIDAS, que objetiva evitar mortes de animais e seres humanos nas rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul. A proposta é instalar telas nos dois lados das rodovias e também passagens subterrâneas para evitar o tráfego de animais silvestres na pista.

“Parece-me uma proposta de cunho interessante, que deverá ser avaliada e analisada de que maneira poderemos viabilizar um projeto dessa envergadura”, esclareceu Jaime Verruck.

ESTERILIZAÇÃO PERMANENTE DE CÃES E GATOS

Outro assunto abordado durante a reunião foi o programa desenvolvido juntamente com a Prefeitura Municipal de esterilização de cães e gatos, o objetivo de se evitar casos de abandono e maus tratos de animais.

Foi reivindicada ao secretário uma verba para aquisição de chips, que serão implantados na pele dos animais após a castração. No dispositivo deverão constar os dados do proprietário do animal. “Percebemos interesse do secretário de nos ajudar, um projeto que será pioneiro no Mato Grosso Sul e talvez no Centro-Oeste”, finalizou Beto.

TRISTE REALIDADE

Uma estatística divulgada pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, revelou um dado assustador: por ano, cinco milhões de animais grandes, como uma anta, por exemplo, são mortos nas estradas brasileiras. São aproximadamente 15 animais sendo atropelados no Brasil a cada segundo, o que significa 475 milhões de atropelamento de animais silvestres por ano no país.

(*) Assessoria de Imprensa do vereador Beto Araújo

O vereador Beto Araújo participa de ações que visam encontrar soluções para os problemas que agridem a fauna silvestre sul-mato-grossense. (Foto: Arquivo/Perfil News)

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