16/09/2002 21h03 – Atualizado em 16/09/2002 21h03

16 de setembro, 2002

Às 7:01 PM hora de Brasília (2201 GMT)

BRASÍLIA (CNN) — A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, confirmou nesta segunda-feira que o governo brasileiro exportou urânio para o Iraque, entre 1979 e 1990.

Entretanto, a Cnen garantiu que a exportação foi regular.

O The Times entrevistou um cientista iraquiano, o dissidente Khidir Hamza, segundo o qual Bagdad teria condições de produzir a bomba atômica com esse urânio brasileiro. O urânio poderia ter sido, inclusive, contrabandeado para o seu país, disse.

Referindo-se às exportações para o Iraque, a Cnen disse que, no período em que ocorreram, “não havia qualquer restrição internacional à venda do produto para ao governo iraquiano”.

O Iraque passou a sofrer sanções internacionais em 1991, ao término da Guerra do Golfo.

O Brasil, de acordo com a Cnen, vendeu ao Iraque “yellow cake”, um produto que equivale ao primeiro estágio do enriquecimento do urânio.

Esse material, que pode ser utilizado em equipamentos médicos, ainda de acordo com a Cnen, está muito distante do urânio enriquecido, que representa a última etapa do processo.

Segundo a Cnen, só a partir desse enriquecimento do urânio é possível alimentar grandes geradores de energia e fazer bombas e mísseis.

Também nesta segunda-feira, o jornal O Estado de S. Paulo informou que as toneladas de yellow cake exportadas pelo Brasil ao Iraque acabaram resultando em poucos gramas de urânio industrial.

O jornal explicou que o urânio foi retirado de jazidas da extinta Nuclebrás, na cidade de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais.

O Brasil teria exportado 24 toneladas de dióxido de urânio para o Iraque, segundo a agência France Presse.

O problema para a Aiea, a Agência Internacional de Energia Atônica, é que de todas as compras declaradas por Bagdad à ONU depois da Guerra do Golfo, uma das únicas não mencionadas pelas autoridades iraquianas foi o carregamento procedente do Brasil.

O Iraque alegou que não notificou a ONU por desconhecer a quantidade exata de urânio embarcado no Brasil.

O governo iraquiano disse também que a carga saiu do Brasil sem documentação.

Além do Brasil, a Aiea informou que a Itália exportou 1,7 tonelada de urânio enriquecido em 2,6 por cento para o governo de Bagdad em 1982.

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