12/11/2006 15h57 – Atualizado em 12/11/2006 15h57

Terra

O presidente George W. Bush parece disposto a encontrar um novo rumo no Iraque, o que poderá incluir uma cooperação maior com a Síria e o Irã, num momento em que alguns legisladores reclamam que a retirada das tropas comece num prazo de quatro a seis meses.

Enfraquecido pela vitória arrasadora dos democratas nas eleições legislativas da semana passada, Bush prometeu trabalhar com a oposição sobre os grandes temas políticas, mas, sem renegar seus princípios, afirmou que a retirada dos 150.000 militares americanos no Iraque só acontecerá “depois da vitória”.

O senador democrata Carl Levin, provável presidente da comissão de Forças Armadas do Senado americano a partir de janeiro, por sua vez, afirmou neste domingo que espera que os Estados Unidos iniciem a retirada de suas tropas nos próximos quatro ou seis meses.

“As pessoas falaram dramaticamente e categoricamente a favor de mudar o curso no Iraque”, afirmou Levin ao canal ABC, acrescentando que o compromisso das forças americanas nesse país “não é prorrogável”.

“De fato, precisamos iniciar uma retirada paulatina de forças do Iraque dentro de quatro ou seis meses”, afirmou.

Levin disse que os Estados Unidos deveriam pressionar o governo iraquiano a uma solução política no Iraque.

“Devemos exercer pressão sobre eles para fazer o que só os líderes iraquianos podem fazer, ou seja, conseguir uma solução política”.

Em busca de soluções, o presidente americano receberá nesta segunda-feira, na Casa Branca, o Grupo de Estudos sobre o Iraque, criado por iniciativa do Congresso e dirigido pelo ex-secretário de Estado James Baker e o ex-legislador democrata Lee Hamilton.

Esse grupo, que publicará suas conclusões nos próximos meses, poderá propor uma retirada gradual do Iraque e a abertura de negociações com a Síria e o Irã, vizinhos do país em conflito e inimigos dos Estados Unidos na região, para ajudar a restaurar a estabilidade.

Segundo o jornal britânico The Observer, o primeiro-ministro britânico Tony Blair e Bush conversaram por telefone sobre as futuras mudanças na estratégia militar da coalizão no Iraque.

Indagado pela publicação a respeito, um porta-voz de Blair confirmou que os dois líderes conversaram por telefone na sexta-feira, mas negou-se a revelar o conteúdo da conversa.

Blair, de acordo com The Observer, falou com Bush sobre a necessidade de envolver os vizinhos do Iraque, Síria e Irã, no esforços de estabilizar o país presa da violência sectária.

Blair deve proporcional evidências a uma força tarefa americana na próxima semana visando a uma futura política no Iraque, segundo informou seu gabinete neste sábado.

Blair vai falar via teleconferência na terça-feira com comitê chefiado por Baker, o que evidencia que Washington pode mudar seu curso no Iraque.

Na sexta-feira, o general Peter Pace, chefe do Estado-Maior, disse que os líderes militares americanos estão elaborando suas próprias observações sobre o curso da guerra no Iraque, assinalando mudanças maiores depois da partida do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.

A principal decisão a ser tomada pelo novo regime no Pentágono é ou enviar mais tropas para conter a violência sectária ou agir mais agressivamente em relação às milícias xiitas responsáveis pelo banho de sangue no país.

“Precisamos fazer uma avaliação boa e honesta do que está dando certo e o que não está dando certo, o que está impedindo nossos progressos e o que deveríamos mudar quanto ao que estamos fazendo para garantir que atingiremos o objetivo que estabelecimentos para nós mesmos”, afirmou Pace numa entrevista ao canal CBS.

Segundo um alto funcionário do Pentágono, que não quis ser identificado, o general Pace criou dentro do Estado-Maior conjunto um grupo de trabalho que inclui estrategistas com experiência recente no Iraque para que proporcionem novas idéias.

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