17/09/2018 15h36

Redação

O candidato à Presidência da República Cabo Daciolo (Patriota) deverá passar pelo menos 48% do período da campanha eleitoral isolado em montes no Brasil, segundo levantamento do UOL. A campanha começou oficialmente em 16 de agosto e tem duração de 52 dias, sem contar 7 de outubro, data do primeiro turno.

Procurada pela reportagem, a mulher e assessora de Daciolo, Cristiane, não soube dizer ao certo quantos dias o candidato já ficou nas colinas. A equipe de Daciolo também não tem o costume de divulgar sua agenda dia a dia, como fazem os adversários.

No entanto, levantamento feito pelo UOL indica que ele terá ficado em montes por, no mínimo, 25 dos 52 dias da campanha eleitoral. Para o cálculo, foram considerados vídeos do candidato em montes publicados por ele nas redes sociais e notas oficiais da campanha.

As únicas aparições em público dele desde 16 de agosto foram para gravação de programa de televisão do horário eleitoral e a ida ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entregar representação pedindo o retorno do voto em cédulas de papel.

No primeiro dia de campanha, Daciolo estava no Monte das Oliveiras, em Campo Grande, no estado do Rio de Janeiro. No local, após uma hora e meia de caminhada entre trilhas, recebeu a imprensa junto a colegas do Corpo de Bombeiros – antes de ser eleito deputado federal, ele trabalhava na corporação. Daciolo já estava no monte desde a semana anterior, porém, essa permanência não entrou no cálculo da reportagem por ser anterior ao início da campanha.

Em 21 e 23 de agosto, Cabo Daciolo promoveu transmissões ao vivo no Facebook direto de um monte, em que louvou a Deus e criticou o atual sistema mundial, citando supostas ordens superiores que querem controlar a população.

A primeira transmissão foi às 4h. “A estratégia que Deus nos deu é de ficar no monte. Nós estamos no monte todos os dias e só vamos descer para os debates. E aqui a gente fica clamando a Deus”, afirmou na ocasião.

Até o momento, Daciolo compareceu a dois debates com os candidatos à Presidência durante o período de campanha, tendo faltado a outro promovido no último domingo (9). Ele também tem faltado a sabatinas de veículos de imprensa.

Em 7 de setembro, ele divulgou nota informando que se comprometeu com um jejum de 21 dias e ficará “nos montes”, sem a possibilidade de conceder entrevistas. A recolhida dele foi em 5 de setembro. Apesar de ter declarado que ficaria em isolamento por 21 dias, na realidade, como falou que descerá no dia 26 – ele prometeu ir direto para o debate que será promovido por UOL, Folha de S. Paulo e SBT – serão 22 dias afastado.

Na quarta (12), em vídeo ao vivo no Facebook feito de um monte, Cabo Daciolo falou acreditar que será eleito presidente da República já no primeiro turno, “embora as urnas eletrônicas sejam fraudulentas”. Ele também disse ter “muito mais do que 5% e 10%” das intenções de voto. De acordo com pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha divulgados nesta semana, o candidato ficou com 1% da preferência dos entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

À reportagem, Cristiane Daciolo afirmou que o marido está em um monte no Rio de Janeiro “bem mais alto” do que o das Oliveiras junto a amigos pastores e do Corpo de Bombeiros que ajudam na logística de necessidades básicas, como alimentação. Ela informou que não poderia revelar o nome do local por “questão de segurança”. No entanto, disse que ele não está com a escolta da Polícia Federal disponibilizada aos candidatos à Presidência. Ela ainda confessou que, às vezes, Cabo Daciolo desce brevemente do monte para resolver burocracias do dia a dia.

“A nossa estratégia é diferente do que a gente tem visto ao longo dos anos. Ele é um homem espiritualizado”, comentou.

Campanha de “custo zero”

O partido Patriota recebeu R$ 9,9 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, segundo dados do TSE. Porém, de acordo com Cristiane, a campanha de Daciolo será “custo zero”.

Nesta quinta (13), último dia para a prestação de contas parcial ao tribunal, a equipe do candidato informou não ter recebido parte da verba do fundo nem ter gasto um centavo com a campanha. As doações que recebeu até hoje, de R$ 7.170,26, serão usadas “no momento certo e quando Deus permitir”, disse em postagem.

“É Deus quem nos dá as estratégias. Agradeço de coração as doações de campanha que recebemos no valor de R$ 7.170,26, por meio de nosso site. No momento certo e quando Deus permitir, essas doações serão bem empregadas em nossa campanha. Servimos a um Deus que é dono de toda prata e todo ouro”, escreveu.

A partir de 27 de setembro, afirmou a assessoria do candidato, ele deverá visitar a favela da Rocinha no Rio de Janeiro e participar de algumas agendas de rua.

(*) UOL

Comentários