Enquanto moradores culpam até os eucaliptos pelo recuo das águas, empresa confirma informação passada pelo Imasul em reportagem produzida ontem pelo Perfil News

Foram dois dias de especulações sobre o que teria acontecido às águas do Rio Sucuriú, que baixaram a olhos vistos, deixando o Balneário Municipal e atracadouros praticamente secos na cidade.

Após reportagens publicadas no Perfil News sobre a seca do Rio e as ações das autoridades a respeito do que teria acontecido, todo mundo tinha alguém para colocar a culpa.

“São os eucaliptos”, afirmaram alguns; “foram os chineses que abriram os vertedouros”, disseram outros. Todo mundo tinha uma opinião para dar sobre o sumiço da água (veja comentários na imagem).

E o que aconteceu, então?

Em reportagem publicada ontem, 5, a chefe do escritório regional do Imasul em Três Lagoas, Délia Javorka, afirmou ter recebido uma mensagem do Diretor Presidente do Imasul, André Borges Barros de Araújo, a respeito da situação. Segundo essa mensagem, a ordem do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) seria “produzir o máximo possível de energia pelo período de escassez”, o que causaria impactos no nível de água dos reservatórios.

Na manhã de hoje, 6, a CTG Brasil enviou nota confirmando a versão do Imasul. Segue abaixo, na íntegra:

A CTG Brasil informa que a redução temporária do nível do reservatório da UHE Jupiá está relacionada a determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para preservar maior volume de água nos reservatórios de acumulação a montante da usina. Essa ação está sendo implementada pelo ONS na tentativa de minimizar os efeitos da forte estiagem evidenciada nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil desde 2019 e garantir a segurança energética do País.

Considerando esse cenário e seguindo determinação do ONS, a UHE Jupiá opera atualmente com vazão reduzida, liberando a quantidade mínima de água para garantir a preservação ambiental a jusante da usina. O nível do reservatório encontra-se dentro da faixa de operação autorizada pelos órgãos ambientais e regulatórios.A Empresa ressalta ainda que a operação da UHE Jupiá e de todas as usinas hidrelétricas do País é coordenada pelo ONS, tanto no que se refere à geração de energia quanto ao controle do nível dos reservatórios. Essa operação leva em consideração diversos fatores, como o usos múltiplos e os níveis dos demais reservatórios do País.

Ainda conforme publicado ontem pelo Perfil News, o Imasul prepara notificações para o Ibama, a Aneel e a Agência Nacional de Águas (ANA) sobre os impactos ambientais que esse tipo de operação está causando na região.

“Não podemos deixar isso passar em branco. A ONS precisa saber que essas reduções de volume e aumento da produção de energia têm um custo ambiental. E quem vai pagar essa conta?”, questionou Délia.

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