21/03/2012 17h46 – Atualizado em 21/03/2012 17h46

Eldorado só lançará no meio ambiente água sem impurezas

A gigante da celulose em Três Lagoas adota alta tecnologia para tratar e reincorporar a água na bacia hidrográfica

Edmir Conceição

Toda água a ser usada para lavagem de celulose na unidade da Eldorado Brasil em Três Lagoas será devolvida limpa ao Rio Paraná, de onde é feita a captação para a Estação de Tratamento do complexo industrial. A lavagem de fibras exige grande consumo de água, mas o Projeto Eldorado, segundo a indústria, adota alta tecnologia, não apenas para ganho de eficiência no uso desse recurso renovável, mas também na redução do consumo.

Dependendo da tecnologia adotada, as indústrias de celulose gastam entre 20 mil e 45 mil litros (cada mil litros equivalem a 1m³) de água para lavar uma tonelada de celulose.

De acordo com a Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), a água é utilizada em processo que começa no cozimento da madeira e passa por diversas lavagens do produto até a finalização da matéria-prima do papel.

A Eldorado Brasil busca a eficiência no uso e no tratamento. “Captamos água à montante (nascente) da usina e devolvemos ela tratada à jusante (foz), mas só fazemos a captação depois de antecipar a devolução com água limpa”, disse fonte da Eldorado ao Perfil News. De acordo com o Projeto Edorado, a água só pode ser lançada na natureza depois de eliminadas todas as impurezas do processo de lavagem das fibras.

Toda a água que alimenta a Estação de Tratamento de Água do Projeto Eldorado é proveniente do rio Paraná, que integra uma das 12 regiões hidrográficas do país. Todas as regiões abrangem uma área de 879.860 km², distribuídos entre Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal.

A bacia do Paraná é a região mais industrializada e urbanizada do país. Nela reside quase um terço da população brasileira, destacando-se como principais aglomerados urbanos as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e de Curitiba.

Trata-se da bacia hidrográfica com a maior capacidade instalada de energia elétrica do país e também a de maior demanda. Destacam-se as usinas de Itaipu, Furnas, Porto Primavera e o complexo de Urubupungá (Jupiá e Ilha Solteira).

INFLUÊNCIA DO RIO TIETÊ

O Rio Tiete é um dos braços do Rio Paraná e estratégico para as atividades da Eldorado Brasil, tanto do ponto de vista da logística ou valor hídrico. O Tietê é também conhecido pela poluição constatada em suas nas margens na cidade de São Paulo. No entanto, com sua extensão de 1.1000 km, deságua no Paraná praticamente sobre a indústria em Três Lagoas, na área dos emissários submarinos do projeto Eldorado.

MONITORAMENTO

De acordo com a Eldorado, são realizados monitoramentos bimestrais no Rio Paraná e nos córregos Santa Vera e Bebedouro, que circundam o projeto. Conforme se observa no mapa, há locais definidos de coletas para o monitoramento da qualidade da água.

Para avaliar a qualidade da água, são determinados 117 parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, analisados em laboratórios certificados. Os monitoramentos são realizados antes do inicio das operações da Eldorado e continuará após a ativação, prevista para dezembro em caráter experimental.

Antes da ativação plena da fábrica de celulose de Três Lagoas, a Eldorado terá um diagnóstico se o início de operação do projeto interferiu na qualidade das águas do Rio Paraná e dos córregos Santa Vera e Bebedouro.

ÁGUA POTÁVEL

No Projeto Eldorado, após coleta, a água do Rio Paraná é tratada pela Estação de Tratamento de Água provisória (ETA), onde acontecem monitoramentos de parâmetros de controle em toda as fases do tratamento, com avaliações que acontecem de duas em duas horas. Além deste monitoramento, quinzenalmente são realizadas coletas para avaliação em laboratórios externos da água da saída do reservatório da ETA, torneiras de banheiros e refeitórios, alojamentos e bebedouros da rede de distribuição.

Ponto onde o Rio Tietê deságua no Rio Paraná. Aqui será feita a captação do Projeto Eldorado.

Imagem de satélite mostra mapa das áreas de monitoramento da qualidade da água no Paraná e córregos.

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