28/04/2015 15h25 – Atualizado em 28/04/2015 15h25

Número de suicídios de policiais federais é quatro vezes maior que mortes em confrontos

Assessoria

No próximo dia 30, será realizado em Campo Grande o “1º Encontro dos Sindicatos dos Policiais Federais da Região Centro-Oeste e de Fronteira”. O tema central do encontro será a crise na Polícia Federal, que inclui o sucateamento funcional e institucional.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Mato Grosso do Sul, Jorge Luiz Ribeiro Caldas da Silva, em razão da fronteira seca com o Paraguai e Bolívia, o estado sul-mato-grossense precisaria de pelo menos o triplo de policiais trabalhando. “Sem falar das estruturas físicas precárias, falta de viaturas e de armamento. Para se ter uma ideia, o contingenciamento de verbas orçamentárias realizado pelo governo Federal tem trazido dificuldades, muitas unidades da PF não têm verba para o custeio e pagamento de contas simples, como luz e água”, comenta.

No entanto, o que mais preocupa o sindicalista é o assédio moral e a perseguição que alguns servidores e sindicalistas sofrem nas dependências da PF, tanto que o número de suicídio é maior do que os policiais federais mortos em confronto. “Nos últimos três anos, em todo Brasil, cerca de 20 policiais federais se mataram, enquanto o número dos que morreram em enfrentamento ao crime é pelo menos quatro vezes menor. Infelizmente tivemos dois suicídios em Campo Grande, de um servidor administrativo e de um delegado que exercia cargo de comando na Superintendência Regional. Isso demonstra que precisamos cuidar dos nossos servidores, comprovando “em tese” que temos uma má gestão administrativa na instituição, com a falta de adoção de providências preventivas ao amparo da integridade física e psíquica dos servidores”, declara Caldas.

O presidente do sindicato afirma que hoje dentro da instituição existe uma guerra entre os cargos por conta da PEC 412/2009, que pleiteia a “autonomia” da Polícia Federal. Segundo Caldas, essa PEC é uma falácia, já que dará autonomia apenas para o cargo de delegado. “Essa autonomia é apenas para assumirem a direção da instituição, acabando com o controle externo do Ministério Público na atividade policial, conquistando o controle funcional, administrativo e orçamentário da instituição, tornando-se “em tese” o quarto Poder”, afirma.

Enquanto isso, os demais cargos na carreira policial – agentes, papiloscopistas, escrivães e os peritos criminais – representam cerca de 80% dos servidores da PF: “Essa luta corporativa entre os cargos tem causado uma crise na corporação. É necessária uma valorização de toda carreira policial e administrativa, deixando de lado o corporativismo e a luta de vaidades e de prerrogativas pelo poder no comando da Polícia Federal. A sociedade necessita de uma Polícia Federal de vanguarda, qualificada para o combate a corrupção e a execução de sua competência constitucional”, finaliza o presidente do sindicato.

Aproveitando as repercussões por conta da Operação Lava Jato, o encontro também vai debater sobre a corrupção e lavagem de dinheiro. O assunto será tema de palestra do juiz federal Odilon de Oliveira, às 10h30.

O encontro acontece no dia 30 de abril, a partir das 8 horas, na sede da OAB-MS. No local, haverá também uma manifestação dos policiais federais contra a PEC 412/2009. No período da tarde, o evento terá continuidade na sede do Sinpef/MS, onde a categoria vai discutir assuntos de ordem sindical. Já confirmaram presença os sindicatos de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, além do estado sede: Mato Grosso do Sul.

(*) Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Policiais Federais de Mato Grosso do Sul

Dentre uma das dificuldades, está relacionada às verbas orçamentárias que muitas unidades da PF enfrentam. (Foto: Divulgação)

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