04/03/2013 10h40 – Atualizado em 04/03/2013 10h40

Fazenda São Matheus recebe convidados para 4º Dia de Campo

“Na fazenda São Matheus não tem porteiras, é aberta para todos que queiram conhecer Projeto iLPF”, disse empresário rural precursor do projeto após anos de trabalho colhe 62 sacas de soja por hectares, média acima da região da Grande Dourados

Ricardo Ojeda

Pelo quarto ano consecutivo, a fazenda São Matheus recebeu convidados para participar do 4º Dia de Campo realizado na propriedade. Cerca de 150 participantes assinaram livro de presença no evento. O chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Mendes Lamas, disse ao Perfil News que a São Matheus virou vitrine do agro-negócio na região Costa Leste do Estado, sendo referencia para o produtor que busca qualificação em sua propriedade.

VITRINE

No local foram montadas quatro estações diferentes: Ações da Embrapa (Projeto iLPF) na região do Bolsão; Sistema iLPF e pecuária de corte; Sistema iLPF e produção de grãos e Experiências que atraíram a atenção de produtores, expositores, além de estudantes universitários da faculdade de agronomia, UNESP, de Ilha Solteira.

A solenidade de abertura contou com a presença do presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas; Pascoal Luiz Secco, empresários e diretores da Embrapa de Dourados e Campo Grande.

Pascoal disse à reportagem que o evento sinaliza uma transformação que o produtor rural precisa implementar em sua propriedade. O que estamos vendo aqui, é fruto de muita pesquisa e investimentos em tecnologia com resultados positivos, disse o sindicalista.

MOMENTO INTERESSANTE

O chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Mendes Lamas falou que “a região oferece a possibilidade do Estado aumentar a produção de grãos, para isso é preciso que os produtores tenham uma visão empreendedora, pois a região passa por um momento muito interessante no tocante ao desenvolvimento”.

Lamas disse ainda que a Embrapa está à disposição dos produtores para oferecer tecnologia e qualificação para o desenvolvimento rural da Costa Leste.

Ele falou ainda que devido à proximidade com o estado de São Paulo, o maior centro consumidor do país, os produtores lucram também na aquisição de insumos e defensivos.

CAMINHO PARA DIVERSIFICAR

O pecuarista Cláudio Totó Garcia de Souza, tradicional criador da região, marcou presença no evento e disse que o caminho para produtividade e rentabilidade no campo é a diversificação. Totó falou ainda que a parceria da Embrapa é fundamental para a atividade rural. “O Brasil deve agradecer muito à Embrapa pelo desenvolvimento rural”.

O pecuarista aproveitou ainda para dizer que a pecuária vem sendo sacrificada pela “cartelização dos frigoríficos”, que está concentrado em grupos que determina o preço no mercado. Ele afirmou ainda que o preço da carne não está defasado, continua em alta nas gôndolas dos supermercados, mas em contrapartida o valor da arroba comercializada nos frigoríficos não foi majorado.

Por outro lado, Totó afirmou que “a pecuária pode ainda ser uma atividade rentável, mas para isso os produtores têm que investir na modernização, em tecnologias, que vem acontecendo aqui na fazenda São Matheus”.

CONSÓRCIO COM FLORESTAS

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Armindo Kichel, na São Matheus, seis forrageiras obtiveram o melhor desempenho em consórcio com as florestas: as cultivares de Panicum (Tanzânia, Mombaça e Massai) e as cultivares de Brachiaria brizantha (Marandu, Xaraés e Piatã). No local, ele apresentou resultados da produtividade, que passou de 5 arrobas de carne por hectare/ano para 9 arrobas de carne por hectare/ano, devido a melhoria do manejo. O índice ampliou, com a introdução de estilosantes e adubação, aumentando para 18 arrobas de carne por hectares ano.

Em área onde a pastagem sucedeu o local onde a soja foi cultivada, a produtividade passou para 25 arrobas e até 30 arrobas de carne.

PRECURSOR DO DESENVOLVIMENTO RURAL

O agrônomo Matheus Arantes, precursor do desenvolvimento rural na região Costa Leste e da fazenda São Matheus, disse ao Perfil News que para chegar ao nível de produtividade foi preciso muito trabalho e investimentos.

Ele falou ainda que se não fosse a parceria com a Embrapa, seria impossível alcançar os números apresentados hoje. A fazenda tem uma media de produção de 62 sacos de soja por hectares, enquanto em Chapadão do Sul, é de 70 sacas por hectares.

Na região de Dourados, considerada como a maior produtora de grãos do Estado, a média é de 40 a 65 sacas por hectares.

Ao todo 24 hectares da fazenda foram utilizados para implantação do Projeto iLPF e segundo Arantes, os ganhos são fantásticos, inclusive no tocante ao meio ambiente, disse. Ele ressaltou que “é preciso seguir de forma bem organizada o calendário de atividades. Só assim pode-se obter produtividade”, finalizou.

COMPARAÇÃO

Na região da Grande Dourados, a média de produção de soja por hectares varia de 45 a 65 sacas, devido ao fator intempérie, referente à variação pluviométrica a mais e a menos. De acordo com o jornalista, Cláudio Xavier, especializado no meio rural, as chuvas aconteceram em “mangas” direcionadas. “Em algumas regiões não faltou água e, em outras, houve escassez”, observa ele, “o que determina esta diferença em produção”.

Cláudio lembra da década de 70, quando da terceira migração do povo sulino ao, então, Mato Grosso. Para alavancar a produção de grãos na região foi preciso investir em muita tecnologia. Segundo ele, o “ciclo dos grãos” teve início na década de 70, quando aconteceu a terceira migração dos “homens do Sul” (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina). Esses produtores foram pioneiros em investimentos tecnológicos, quando “assustaram” o Estado com o ronco das máquinas e implementos. “Primeiramente, os agricultores do Sul se valeram das máquinas modernas e da fertilidade do solo, em certas regiões com alta concentração de argila, considerado pelo habitante local como míseras invernadas cobertas pelo conhecido capim de bode”, lembra, “posteriormente, a tecnologia se voltou à terra, à reconstituição do solo que, devido à intensidade de plantio, ganhou degradação”.

COADJUVANTE

Xavier comenta que, hoje, o solo serve apenas para segurar a raíz da planta, o restante vem do produtor, que pensa no investimento em tecnologia para uma maior produção. “A fertilidade de um solo é avaliada pela acidez, disponibilidade de nutrientes, teor de matéria orgânica, armazenamento e fornecimento de água, armazenamento e difusão de calor e permeabilidade ao ar, à água e às raízes. Esse conjunto de parâmetros físicos é comandado pela estrutura que cada solo apresenta”, explica. Cita o plantio direto com um dos propulsores do crescimento agrícola, “pois o uso sucessivo de implementos agrícolas, principalmente de arados e grades de discos, alteram a estrutura da terra, fracionando e desagregando o solo. Com isso, surge um encrostamento na camada superficial, tendo como consequência a redução da infiltração de água e o aumento de enxurradas, prejudicando a emergência das plantas e aumentando a erosão”.

Na linguagem do homem do campo, Cláudio diz que”o aproveitamento da resteva (sobra de cultura), faz com que a terra fique coberta, preserve humildade e, essa palhada, transforma-se em adubo orgânico”.

Ainda, atualmente a terra é alimentada adequadamente, pois as indústrias agropecuárias criaram insumos para nutrição do solo, adubos de alta fertilidade, deixando a terra apenas como suporte das raízes. “Devido a esta tecnologia, ao capricho do produtor consciente, o resto depende apenas da intempérie, pois é imprescindível à planta pão crescimento da planta, a presença de luz, calor e água. Não adianta tecnologia sem a presença desses três fatores climáticos, porque a produção fica comprometida”, ressalta o jornalista.

Finalizando, Cláudio Xavier enfatiza que, “ainda, sem conhecer a Fazenda São Matheus, tem a certeza do sucesso em produção, pois, além da grande parceria com a mais famosa empresa de pesquisas agropecuárias do Brasil, quando se investe em tecnologia, os lucros brotam à flor da terra”.

Veja mais imagens do Dia de Campo da São Matheus.

Fotos: Ricardo Ojeda

Autoridades abrem a solenidade que marcou o  4º Dia de Campo da fazenda São Matheus (Foto: Ricardo Ojeda)

O ciclo evolutivo da fazenda São Matheus, começa durante semeadora dos grãos, operados por modernos implementos...

... os resultados são alcançados quando a planta atinge a fase adulta...

... que além da soja, a plantação de milho também supera expectativas do produtor...

... onde universitários do curso de Agronomia de Ilha Solteira são atraídos para adquirirem mais experiência...

... a soma de vários fatores, pesquisa, tecnologia e organização...

... é possível colher uma média de 62 sacas de soja por hectares  (Fotos: Ricardo Ojeda)

Armindo Kichel, pesquisador da Embrapa Gado de Corte explicou aos participantes do Dia de Campo na São Matheus que seis forrageiras obtiveram o melhor desempenho em consórcio com as florestas (Foto: Ricardo Ojeda)

Consorcio sivipastoril mostrou desempenho positivos com resultados surpreendentes (Foto: Ricardo Ojeda)

Matheus Arantes idealizador do projeto da fazenda São Matheus após anos de pesquisa e investimentos colhe resultados positivos em sua propriedade...

... que hoje é referência na região Costa Leste do Estado, colhendo uma média de 62 sacos de soja por hectares (Fotos: Ricardo Ojeda)

Além de investimentos em pesquisa, a São Matheus investiu também na compra de máquinas e implementos para plantar e colher com eficiência (Foto: Ricardo Ojeda)

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