28/04/2014 15h44 – Atualizado em 28/04/2014 15h44

Na madrugada desta segunda-feira, um estabelecimento de ensino no bairro Santa Rita foi consumido pelas chamas de um incêndio, possivelmente criminoso

Léo Lima

“Como a gente vai ter tranquilidade de manter os filhos nas escolas, se somente nestes dois últimos finais de semana dois colégios municipais foram atacados, provavelmente, por vândalos?”. O questionamento, em tom de desabafo e preocupação, é da mãe de uma garotinha de sete anos, que está matriculada na Escola Municipal Flausina de Assunção Marinho, no bairro Santa Rita, alvo provável da ação de inconsequentes, que conseguiram destruir – mediante incêndio criminoso – quase que totalmente o estabelecimento de ensino, na madrugada desta segunda-feira (28). O sinistro teve início perto das 3 horas.

Hoje de manhã, após os bombeiros extinguirem as chamas, muitos pais estiveram na rua 13 de Junho, 1.880, onde está instalada a referida escola para ver o que sobrou do prédio. “A indignação é grande, mas sabemos que não é culpa da direção e esse fato não acontece só na cidade; em outras partes do país, o vandalismo anda a solta”, colocou o pai de um menino de dez anos que estuda na escola Flausina. Ele também, com receio de retaliações por parte dos que atearam fogo no colégio, prefere não ser identificado. “Ouvi dizer que, talvez, tenha sido ato do tal do PCC (facão criminosa) que, por conta do negócio de combate de celulares com os presos, prometeram atacar as escolas”, observou.

RESCALDO

Não somente os pais dos alunos se posicionaram preocupados com o evento. As autoridades e especialmente o corpo docente do colégio traziam no semblante olhares abismados, incrédulos de que realmente ocorreu uma tragédia provocada na escola.

A diretora do estabelecimento de ensino, professora Lúcia Corrêa, altamente abalada com o episódio e demonstrando incontrolável emoção, era uma que respondia os questionamentos dos que a indagavam sobre o ocorrido, mas ao mesmo tempo se prostrava ao ver o prédio ainda com os resquícios (fumaça saindo das salas de aula, carteiras e outros móveis e objetos queimados) do sinistro. Em meio às lágrimas em certos momentos, Lúcia desabafava, mais do que explicava a respeito. “Parece que o fogo começou nos fundos da escola, pegando primeiro nas salas de aula; disseram que ouviram vozes de meninos gritando antes do incêndio começar”, contava ela.

Lúcia afirmou que a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec) já agilizou locais para abrigar as aulas aos 510 alunos do colégio, que atende da pré-escola ao 5° ano do ensino fundamental. Eles vão ser deslocados para outros estabelecimentos, inclusive para duas salas em uma igreja evangélica.

“As salas de informática, dos professores, de atendimento especializado e a secretaria, não foram atingidas pelo fogo”, assegurou Lúcia, após os bombeiros terem informado a situação depois do rescaldo efetuado na escola, concluído perto das 8h30. “O material da escola, como registros dos alunos, não foram atingidos”, revelou a diretora.

PREOCUPAÇÃO

Enquanto a imprensa estava registrando as cenas no interior do colégio, parte do telhado de uma das salas desabou, causando correria, mas não atingiu nenhuma pessoa.

No domingo (22) retrasado, a Escola Municipal Gentil Rodrigues Montalvão, localizada na rua Bernardino Mendes, no bairro Jardim Bela Vista, também foi alvo de incêndio que está sendo avaliado como criminoso. O incêndio queimou móveis de uma das salas do colégio.

Assim como o ocorrido no caso da escola do Bela Vista, o incêndio na do bairro Santa Rita também está sendo investigado. “A perícia técnica [da Polícia Civil] esteve aqui e vai fazer um levantamento a respeito; o laudo deve indicar se foi criminoso ou não o incêndio. Vamos também avaliar os prejuízos, embora o maior tenha sido deixar as crianças abaladas e sem aula, por enquanto”, finalizou a diretora da escola Flausina Marinho.

Interior da escola Flausina - alguns pontos onde ainda pela manhã havia fumaça, mesmo após bombeiros acabarem com o incêndio (Foto: Ricardo Ojeda)

As chamas consumiram tudo dentro das salas de aula e em outras partes do prédio da escola (Foto: Ricardo Ojeda)

Lúcia, diretora da escola, abalada, conta que a documentação do colégio não foi atingida pelo incêndio (Foto: Ricardo Ojeda)

Pais e alunos estiveram na escola e conferiram o ocorrido, que causou tristeza na vizinhança (Foto: Ricardo Ojeda)

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