20/11/2006 11h17 – Atualizado em 20/11/2006 11h17

Dourados Informa

A maioria dos juízes brasileiros considera “ruim” o exame das contas dos partidos políticos e dos candidatos feito pela Justiça Eleitoral. É o que revela uma pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) com quase 3 mil juízes, 25% dos associados. O índice dos entrevistados que consideram “ruim” o exame das contas é de 55%. Segundo a pesquisa, apenas 12,7% dos entrevistados avaliam como “muito bom” esse trabalho da Justiça Eleitoral. “É uma autocrítica muito pertinente. Seria muito ruim que os juízes vivessem em um mundo de fantasia, achando que as prestações de contas das campanhas eleitorais do Brasil são boas”, comentou o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, em entrevista à Agência Brasil. Além disso, 42,2% dos entrevistados consideram “ruim” a repressão da Justiça Eleitoral aos abusos do poder político ou econômico nas campanhas, sendo que 17,7% avaliam como “muito boa”. A pesquisa mostra ainda que 64,1% dos entrevistados são “totalmente favoráveis” à atualização da tipificação dos crimes eleitorais e 65,7% dos magistrados têm a mesma opinião sobre a limitação dos custos das campanhas eleitorais. A maioria dos entrevistados (53,8%) disse ser também “totalmente favorável” à vedação da possibilidade de reeleição para o mesmo cargo no Poder Executivo. Além disso, 46,9% são “totalmente favoráveis” ao voto facultativo no país. Com relação à adoção do financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, os entrevistados têm opinião dividida: 26,9% são “contrários” e 22,2% “favoráveis”. “Entendo a divisão de opiniões com relação a esse tema, já que resta uma série de obstáculos a aperfeiçoar. O financiamento público de campanha tem a ver com uma ampla reforma eleitoral que deve ser feita”, disse Collaço. A pesquisa foi coordenada pela cientista política da Universidade de São Paulo (USP) Maria Tereza Sadek e será discutida durante o 19º Congresso Brasileiro de Magistrados, que começa hoje (15) e vai até o próximo sábado (18), em Curitiba.

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