13/11/2006 11h06 – Atualizado em 13/11/2006 11h06

A mortandade de peixes ocorrida em Mundo Novo e Naviraí tempos atrás fizeram com que representantes de órgãos ambientais de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo iniciasse investigação para localizar o agente causador. Na manhã desta segunda-feira, eles estiveram reunidos com Antonio Carlos Garcia, promotor do Meio Ambiente em Três Lagoas. A reunião não pode ser acompanhada pela imprensa. Antes da reunião, ainda pela manhã, eles realizaram a coleta de água do leito do rio. Thomaz Lipparelli, superintendente de Pesca segue à tarde para a usina Sérgio Motta, em Porto Primavera. Cinco representantes do órgão estão na cidade de Três Lagoas. PROBLEMA ANTIGO Em 2005, a Associação de Pescadores de Castilho (SP), às margens do Rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul denunciou que o peixe cascudo preto (Rhinelepis áspera) estava apodrecendo vivo devido à poluição no rio Paraná. A denúncia foi feita pela Econg, organização não governamental de defesa ambiental com sede em Castilho. A organização protocolou a denúncia na Justiça Federal de Três Lagoas. EXAMES PRELIMINARES Naquele ano, exames preliminares feitos pela entidade de defesa constataram que a carne do cascudo estava se transformando em um líquido branco, o sangue estava grosso, as guelras amareladas, e os intestinos e partes da carne estavam descoladas do couro, o que, segundo a Econg, eram sinais claros de apodrecimento do peixe, mesmo ele estando vivo. IMPACTO AMBIENTAL Além do impacto ambiental o problema estava afetando ainda a sobrevivência dos pescadores profissionais da região, que têm a atividade como única fonte de renda para o sustento da família. Segundo o presidente da Associação de Pescadores, Cláudio Xavier Cordeiro, o problema com o cascudo começou a ser constatado há aproximadamente um ano e se acentuou nos últimos seis meses. Ele disse que pela sua experiência o cascudo atinge até cinco quilos e chegavam aos 55 centímetros, medidas que segundo ele os peixes não estão atingindo há tempos. OUTRAS ESPÉCIES Ainda segundo a Econg, por causa da poluição no rio Paraná, além do cascudo, as raias de água doce (Potamotrygon laticeps) também apareceram mortas em número preocupante. Na denúncia à Justiça, a Econg citava o combate ao mexilhão dourado que estaria sendo realizado pela Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo) com a realização de produtos químicos como um dos motivos para a contaminação e degradação dos peixes. SEM VENENOS Em nota divulgada à época pela Cesp, pelo departamento de comunicação, a companhia informava que nunca usou venenos para matar o mexilhão dourado em suas usinas. A empresa disse que a principal medida adotada para a retirada do molusco era mecânica, e era feita durante limpezas periódicas de manutenção preventiva dos equipamentos.

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