30/07/2008 13h42 – Atualizado em 30/07/2008 13h42

Assessoria de Comunicação

O governador André Puccinelli afirmou na manhã de hoje (30) durante evento na Capital, que o certificado da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconhecendo Mato Grosso do Sul como área livre de febre aftosa com vacinação deve chegar até sexta-feira (1). Agora, a expectativa do governador é de que – até o final do ano – o Estado consiga o certificado da União Européia. “Se Mato Grosso do Sul conseguir o certificado, pode ser o quarto Estado do Brasil a exportar para a União Européia”, garante.

De acordo com Puccinelli, o Estado vem exportando para o Egito, Iraque e alguns países da África, já acessando 36 mercados. Para o governador, o impacto na arrecadação estadual com o reconhecimento do Estado de área livre de aftosa com vacinação deve ocorrer no próximo ano. “Com a aftosa, a arroba do boi no Estado perdeu valor e chegou a R$ 65,00; com o certificado da OIE, a arroba do boi deve subir”, avalia.

A secretária de Estado de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo (Seprotur), Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, acompanha desde a última segunda-feira (28) a reunião da Comissão Científica da OIE, realizada em Paris, e que será concluída hoje. Mato Grosso do Sul perdeu o status de área livre de aftosa em outubro de 2005, quando ocorreram focos da doença no rebanho bovino nos municípios de Japorã, Eldorado e Mundo Novo.

RETROSPECTIVA

Com o segundo maior rebanho de bovinos de corte do País, Mato Grosso do Sul tem no agronegócio seu maior alicerce econômico. Em outubro de 2005, o Estado foi surpreendido pela ocorrência de febre aftosa no rebanho bovino de municípios na fronteira com o Paraguai (Eldorado, Mundo Novo e Japorã). Na época, 1.268 propriedades foram interditadas e 34.332 animais foram sacrificados, trazendo transtornos e prejuízos incalculáveis aos produtores da região e do Estado, não só pelas medidas sanitárias executadas, como pelas restrições comerciais e desaceleração econômica instalada.

Já no atual governo, uma série de procedimentos técnicos foi tomada por determinação do Ministério da Agricultura (MAPA), com objetivo de baixar a carga viral circulante e instalar um processo de gestão sanitária na fronteira. Objetivando baixar a carga viral circulante na região, abate sanitário foi feito atingindo mais de 45 mil animais.

Na seqüência também se procederam outras ações, entre as quais se destacam: vacinação assistida de todos os animais de 0 a 12 meses nos municípios de fronteira; vigilância sanitária ostensiva em todas as propriedades na faixa de fronteira; recadastramento de todas as propriedades nos municípios daquela região; identificação individual de todos os animais suscetíveis à febre aftosa nos municípios de Eldorado, Mundo Novo e Japorã; reestruturação e reativação de 16 postos fixos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), além da instalação de unidades de fiscalização móveis; sorologia foi realizada em todo o Estado; o trânsito de animais ficou restrito e atualização cadastral de todas as propriedades rurais nos municípios da fronteira.

Além disso, também foram intensificados os trabalhos de vacinação oficial assistida contra a febre aftosa nos municípios de Eldorado, Japorã e Mundo Novo; realização de embarque oficial acompanhado das cargas de animais com origem nos municípios de fronteira; intensificação da vigilância sanitária sobre o trânsito de animais nas estradas da região de fronteira, por meio de barreiras volantes; incremento das ações de educação sanitária na região de fronteira, em articulação com os conselhos municipais de saúde animal, prefeituras municipais, associações de classe e universidades; viabilização de recursos junto ao governo federal, Medida Provisória de R$ 45 milhões, para indenizações dos animais abatidos e para a execução de ações de defesa e vigilância sanitária.

Em 7 de novembro de 2007, Mato Grosso do Sul retomou, junto ao Ministério da Agricultura (MAPA), o status de área livre de febre aftosa com vacinação. Contudo, seguindo recomendação da OIE, o Estado criou em janeiro desse ano uma Zona de Alta Vigilância (ZAV), ficando entre o Paraguai e o Brasil (faixa de aproximadamente 15 x 700 km abrangendo 3.536 propriedades ao longo de 11 municípios, sendo esses Antônio João, Japorã e Mundo Novo – em sua totalidade – e Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Paranhos, Ponta Porã, Porto Murtinho e Sete Quedas – parcial – envolvendo um rebanho de aproximadamente um milhão de bovinos. A região, vista inicialmente como uma área de exclusão, transformou-se em excelência devido a concentração de ações ali implementadas e, sobre tudo, pelo ineditismo do trabalho realizado pela defesa sanitária estadual e federal, em conjunto com as instituições parceiras.

Visando dar assistência aos produtores daqueles municípios, foi criada uma linha especial de crédito junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para adequação do sistema de produção pecuário na região de fronteira; infra-estruturalmente o governo estadual adquiriu lanchas, veículos e containers para os trabalhos de fiscalização na ZAV, totalizando estes 53 unidades; foram admitidos 50 novos servidores (sendo desses 25 médicos veterinários, e os demais agentes de serviços agropecuários – nível médio), aprovados por concurso público em 2005, para atuarem na Iagro; também foram contratados, por excepcionalidade, 176 agentes agropecuários – nível médio – para atuação exclusiva na ZAV.

Com um trabalho sanitário intensivo, duas etapas de vacinação contra aftosa já foram realizadas esse ano no Estado, sendo na ZAV, sem ônus aos produtores e 100% acompanhada pela Iagro. O Estado também identificou visualmente todos os bovinos, bubalinos, caprinos e ovinos das propriedades inseridas na ZAV, sendo os brincos integralmente doados pelos governos federal e estadual.

Implementadas tais ações, Mato Grosso do Sul e outros 10 estados brasileiros pleitearam em maio passado, durante a 76ª Reunião Ordinária da OIE em Paris, a retomada de seus devidos status sanitários. Naquela ocasião a OIE reconheceu como área livre de febre aftosa com vacinação os estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e o Distrito Federal, permanecendo Mato Grosso do Sul sem o status internacional.

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