11/09/2018 14h29

Estiagem, falta de limpeza nos terrenos e desleixo na hora de descartar lixo são os principais fatores

Gisele Berto

A falta de chuva aliada ao desleixo dos proprietários de terrenos, além do descarte incorreto de materiais como garrafas de vidro, latas de alumínio e pontas de cigarro fizeram o número de incêndios florestais ultrapassar, em oito meses, o número total de ocorrências do ano passado.

Os números são do 5º Grupamento de Bombeiros Militar, responsável pelo atendimento nas cidades de Três Lagoas, Brasilândia e Água Clara.

Apenas na última semana, três incêndios de grande vulto chamaram a atenção: em Inocência, o fogo devastou a vegetação de pelo menos cinco propriedades rurais. Na estrada, entre Itupeva e Ilha Solteira, um grande incêndio também chamou a atenção pela altura das chamas.

Além disso, o 5º GBM atendeu a uma ocorrência em Água Clara em que o fogo destruiu cinco hectares de cerrado. A ocorrência demandou 12h de trabalho dos bombeiros.

Este ano é o que mais registrou ocorrências de incêndio em vegetação dos últimos tempos: em 2016, foram mais de 400 procedimentos; em 2017, 345 e, em 2018, apenas em oito meses, os números já chegam a 446.

Estes números incluem atendimentos em áreas rurais e urbanas. Na cidade os casos são, essencialmente, em terrenos baldios.

FISCALIZAÇÃO E MULTA

Os principais fatores causadores de incêndios continuam sendo o descarte irregular de lixo (como latinhas de alumínio ou garrafas de vidro que, quando submetidas à luz forte do sol, podem desencadear a chama) e a queima proposital de lixo e mato em terrenos baldios.

Realizar queimada urbana é crime, de acordo com o Código de Postura do Município, e prevê multa de 100 UFIM’s por lote – aproximadamente R$ 458,20.

Por isso é importante manter os terrenos limpos. Mesmo porque, caso um lote esteja com mato alto e alguém colocar fogo aleatoriamente, o dono da propriedade será incriminado, caso o autor não seja identificado.

Com o aumento dos casos, a Secretaria de Meio Ambiente e Agronegócio prometeu intensificar as fiscalizações e autuar os proprietários dos terrenos onde houver queimadas.

De janeiro a abril deste ano, o setor de fiscalização da SEMEA recebeu 60 denúncias de fogo em mato ou lixo.

Recentemente, foi ateado fogo em uma área próxima à segunda lagoa. A fumaça provocada atingiu os bairros Lapa, Jardim Dourado e Interlagos. Outra área em que é constante haver queimadas é o “Buracão” do Jupiá.

PREFEITURA PODE LIMPAR OS TERRENOS E MANDAR A CONTA PARA OS DONOS

Foi aprovada no final do ano passado uma nova Lei para cuidar da limpeza e manutenção dos imóveis localizados em área urbana de Três Lagoas. Agora, os imóveis, com construção ou não, e suas calçadas devem ser mantidos limpos e livres de mato, lixo, detritos, entulhos ou qualquer outro material suscetível a causar riscos à saúde, higiene e segurança pública.

A multa para quem descumprir a norma é de 1% do valor venal do terreno. Além disso, a Prefeitura pode fazer a limpeza de terrenos particulares quando a exigência de limpeza por parte do proprietário não for cumprida dentro do prazo estabelecido em lei – e o custo com o serviço será repassado ao proprietário do terreno.

Bombeiros trabalham em incêndio que queimou cinco hectares de cerrado em Água Clara. Foto: Divulgação 5º GBM

Buracão do Jupiá é um dos lugares onde os incêndios são comuns. Foto: Divulgação/Prefeitura

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