27/03/2018 08h20

“O Núcleo nos ajudou apoiando e tranquilizando”, diz pais de aluno da REME que recebeu atendimento do NEE

Equipe atende aproximadamente 200 crianças com necessidades especiais visando melhorar a qualidade de vida tanto escolar, quanto familiar

Redação

Todos os dias a equipe do Núcleo de Educação Especial (NEE), da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) de Três Lagoas, busca em seus atendimentos um único objetivo: diminuir a angústia de famílias que tem em seu lar uma criança com necessidade especial e ajudá-la a encontrar o melhor caminho para a inclusão social e escolar.

Segundo a Coordenadora e Psicopedagoga Juliana Otino, existe atualmente na Rede Municipal de Ensino (REME) aproximadamente 200 crianças diagnosticadas com deficiência, seja ela física, auditiva, visual, transtornos ou distúrbios.

TRIAGEM

Para se chegar a essas crianças o primeiro contato do NEE é feito na escola através da observação dos professores. Em seguida é agendada uma entrevista com os pais para juntos entenderem o que realmente está acontecendo com a criança para então iniciar o trabalho de intervenção.

“Nós não damos o diagnóstico médico; nós fazemos a triagem. A partir desses atendimentos com a escola e os pais entendemos se a criança precisa de um Neuro, um Fono, ou qualquer outra especialidade e ajudamos a família como buscar essa ajuda profissional”, explicou Juliana.

A coordenadora contou que a partir de um trabalho de uma equipe formada por psicólogo, pedagoga e assistente social, a família é orientada sobre quais médicos ou atendimento especializados deve procurar.

“Muitas vezes, os pais chegam assustados e perdidos aqui no Núcleo sem saber o que está acontecendo com o filho. Nosso trabalho começa tranquilizando-os e ajudando-os a entender o que está acontecendo. Nem sempre eles aceitam no primeiro momento que a criança é especial e tem uma deficiência, mas nosso trabalho é esse: ajudá-los a compreender que o filho tem necessidades específicas, mas com ajuda e, principalmente, o apoio familiar pode levar uma vida normal”, explicou Juliana.

A partir do encaminhamento da criança aos profissionais da área da saúde e do laudo apresentando pelos mesmos, o aluno pode vir a ter um acompanhante em sala de aula para auxiliá-lo na interação com outros estudantes e na compreensão da matéria.

RESULTADO POSITIVO

Este é o caso do aluno do Pré II, da Escola Municipal “Filinto Muller”, Celso José de Souza Júnior, cujo pai, Celso José de Souza, procurou o Núcleo após o colégio identificar a necessidade de a família buscar ajuda junto à equipe do NEE, iniciando assim o trabalho de adaptação do filho diagnosticado com hiperatividade.

“Quando o Celso chegou até o Núcleo o Celsinho estava em outra escola com crises de agressividade, dificuldades de relacionamento e concentração. Os pais nos procuraram após a escola o aconselhar e juntos iniciamos um trabalho de avaliação e indicação para o tratamento. Com a solicitação médica, foi possível colocar uma acompanhante (estagiária em pedagogia) ao lado do filho em sala de aula e hoje, com o tratamento, ele é outra criança. Só recebemos elogios dele em sala de aula e isso é muito gratificante”, contou a coordenadora do NEE.

Para Celso, pai do Celsinho, o apoio do Núcleo e dos profissionais que os acompanharam durante todo o processo foi fundamental. “Estávamos assustados com o que poderia ser e o Núcleo nos ajudou desde o começo nos apoiando e tranquilizando. O papel da Secretaria de Educação foi muito importante para que chegássemos ao resultado que temos hoje. Agradeço a toda equipe que nos ajuda diariamente para o nosso filho estar cada vez mais saudável”, disse.

Celso orienta os pais e famílias que passam pelo mesmo problema a não desistirem de seus filhos e buscarem sempre o melhor para a sua família. “Estamos acostumados a reclamar do problema, a ter medo do preconceito, mas a verdade é que a família é o bem mais precioso que temos. Precisamos lutar por ela e buscar sempre pelas oportunidades que estão a nossa volta. Sem essa ajuda e a união da nossa família não teríamos chegado a este resultado extraordinário”, pontua.

APOIO FAMILIAR

Segundo a coordenadora do NEE, a Escola e o Núcleo fazem as intervenções, mas se a família não ajudar não conseguirá ter resultados. “A família é o pilar de tudo. O que mais vemos nestes casos é que 90% das crianças têm dificuldades em se relacionar com o pai, a mãe, os avós. Elas estão carentes de atenção e apesar da vida estar tumultuada, elas precisam cada vez mais da nossa atenção. A família é a base para ela crescer”, explicou.

Juliana fez questão de pontuar que essa mudança significativa do aluno Celsinho só foi possível em razão do atendimento médico e, principalmente, porque os pais estiveram envolvidos todo o tempo dando atenção e buscando os cuidados necessários. “É preciso ter a ajuda médica; o acompanhamento da escola; uma acompanhante ajudando e principalmente o apoio da família. Se não existir o acompanhamento familiar como base não existirão resultados positivos”, explica.

ACOMPANHANTES

Os alunos especiais contam com o acompanhamento de estagiários em sala de aula a partir de uma declaração emitida pelo profissional de saúde da criança apresentando o laudo e solicitando esse atendimento. A partir desta declaração é que os estagiários das áreas de Educação Física, Pedagogia, Psicologia, Letras ou Enfermagem são solicitados. Segundo a coordenadora, os estudantes estão inscritos no programa de estágio do Instituto “Euvaldo Lodi” (IEL-MS), parceiro da Prefeitura do Município. A duração do programa é de aproximadamente dois anos.

Para a estagiária Fernanda Aparecida Oliveira Nunes é gratificante ver o resultado do Celsinho em sala de aula. “Nem sou eu que o ensino, é ele que me ensina todos os dias a ser uma pessoa melhor e vê-lo se desenvolver é muito gratificante”, afirmou.

Já para a professora do Celsinho, Thais Arantes Ramalho, o apoio de monitores como a Fernanda é primordial para o resultado do desempenho de alunos em condições especiais. “Já trabalhei com alunos especiais sem a presença de acompanhantes e é difícil dar a atenção exclusiva que eles precisam. Vejo diariamente o desempenho do Celsinho em sala de aula com as lições, ajudando os amiguinhos e, como professora, fico feliz de saber que desta forma ele pode acompanhar a turma”, finalizou.

SERVIÇO

O Núcleo de Educação Especial (NEE) está localizado à Rua Alexandre Costa, 130 – Centro e o contato telefônico é o (67) 3929-1469.

(*) Assessoria de Comunicação

O aluno pode vir a ter um acompanhante em sala de aula para auxiliá-lo na interação com outros estudantes e na compreensão da matéria (Foto:Assessoria)

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