17/10/2003 09h43 – Atualizado em 17/10/2003 09h43
O governador Zeca do PT vai levar ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cópia do protocolo assinado por seis empresas que vão investir na ferrovia entre o porto de Santos (SP) e o porto de Antofagasta, no Chile. O consórcio para investimento na ferrovia é estratégico para viabilizar uma rota bioceânica rodoferroviária. O protocolo foi assinado sábado passado, durante a visita do presidente Lula, e a idéia despertou o interesse do governador de São Paulo.
“Mato Grosso do Sul e São Paulo serão parceiros nesse projeto”, disse o governador, que na segunda-feira às 18h (horário de SP) se reunirá com Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. As empresas interessadas em investir na ferrovia entre Santos, na costa do Oceano Atlântico, e portos do Pacífico, segundo o governador Zeca, são a Brasil Ferrovias, a Vale do Rio Doce, Rio Tinto Brasil, Cargill, Odebrecht e Empresa Ferroviária Oriental (boliviana).
No protocolo de intenções elas se comprometem a apresentar em até 120 dias uma proposta de investimentos para recuperar a malha ferroviária entre Santos (SP) e Corumbá. As empresas deverão formar um consórcio para viabilizar o projeto. Os investidores serão os principais beneficiários com a reforma da via, pois têm interesse no transporte de cargas e passageiros no trecho, aproveitando a ligação ferroviária com o Porto de Santos e explorando o transporte internacional até os portos chilenos de Antofagasta e Arica.
A melhoria da estrada de ferro consolida o corredor bioceânico, ligando o Atlântico ao Pacífico, garantindo redução de custos logísticos e a integração física com os países sul-americanos. As empresas irão compor um grupo de trabalho para elaborar a proposta de
reabilitação e modernização do eixo ferroviário. O estudo definirá necessidades físicas, tecnológicas e operacionais para a adequação das ferrovias em relação às necessidades atuais e futuras de serviço, o montante de recursos financeiros necessários, o modelo de participação dos agentes privados nos investimentos e um programa de trabalho.
A proposta abrangerá a área de operação das concessionárias Novoeste,
Ferroban e da Portofer, responsáveis pelo transporte de carga no corredor sudoeste (Corumbá/Santos) por bitola estreita. As empresas são controladas pela Brasil Ferrovias. A malha da Novoeste totaliza 1.621 km entre a fronteira de Mato Grosso do Sul e Bauru (SP). A da Ferroban e a da Portofer (ligando Bauru até Santos) têm extensão aproximada de 500 km.
As condições da malha ferroviária da Novoeste limitam o trânsito de cargas e não garantem a segurança para operar o transporte de passageiros. O eixo entre Campo Grande e Corumbá, de 459 km, é o que requer maiores investimentos, e coincide com o trajeto do Trem do Pantanal. A reforma e adequação dessa parte da via devem consumir cerca de R$ 180 milhões de reais, segundo dados do estudo de viabilidade do projeto de trem turístico e regional, concluído em 2002 pelo governo de Mato Grosso do Sul.
O Trem do Pantanal é um projeto estratégico do Governo Lula que consta do PPA 2004-2007, tendo foco no turismo e no desenvolvimento sustentável das comunidades pantaneiras, muitas delas isoladas por falta de transporte. Apesar do interesse nacional no projeto, a União não pode investir na malha ferroviária concedida. A engenharia institucional criada para reformar a ferrovia irá solucionar um dos principais obstáculos para a reativação do trem de passageiros.
Fonte:Midiamax News