10/06/2003 10h23 – Atualizado em 10/06/2003 10h23
Os Estados Unidos e a Coréia do Sul minimizaram o anúncio de que a Coréia do Norte vai aumentar o seu orçamento para o programa nuclear, apesar de cortar as despesas com as tropas convencionais.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que a estratégia dos Estados Unidos para a região não será afetada pelo anúncio norte-coreano e que a admissão de Pyongyang sobre o seu programa nuclear não aumenta as probabilidades de conflito.
Já a Coréia do Sul disse que a política de Seul – que considera o arsenal nuclear norte-coreano inaceitável, mas continua buscando uma solução diplomática para a crise – vai permanecer a mesma.
Representantes dos governos sul-coreano, americano e japonês vão se reunir no Havaí, na quinta-feira, para debater como o impasse pode ser resolvido.
Desarmamento:
A primeira reação dos americanos ao anúncio norte-coreano foi a exigência de que o país comece “completa e imediatamente” a desmontar seu programa de armas nucleares.
O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, respondeu à primeira admissão pública do país asiático de que está pronto para avançar em seu programa nuclear para conter o que chamou de “política americana hostil”.
Em uma nota publicada pela agência oficial KCNA, o governo da Coréia do Norte disse que pode dar prosseguimento ao programa para reduzir o tamanho de seu Exército convencional e, então, ter mais dinheiro para alimentar sua população.
Fleischer rejeitou a lógica norte-coreana, afirmando que “a melhor maneira de alimentar e proteger o povo” é suspender o programa nuclear.
Ameaça:
“A grande ameaça à segurança do povo da Coréia do Norte vem do governo do país que faz seu povo passar fome”, disse o porta-voz.
Agências internacionais de inteligência acreditam que a Coréia do Norte teve um programa de armas nucleares por muitos anos e que podem ter sobrado algumas bombas nucleares.
A nota divulgada nesta segunda-feira foi o mais próximo que as autoridades norte-coreanas chegaram de revelar a existência do programa e o passo é visto, por analistas, como parte da tentativa de conseguir concessões econômicas e diplomáticas dos Estados Unidos.
A administração da Coréia do Norte já fez a ameaça antes em conversas privadas com autoridades americanas.
Os americanos tentam construir uma coalizão de poderes regionais para ajudar a minar a ambição nuclear da Coréia do Norte.
A questão dominou as conversas do fim de semana entre Japão e Coréia do Sul. Os dois países concordaram sobre a necessidade de conversas multilaterais para procurar uma solução pacífica.
A Coréia do Norte insiste numa negociação bilateral com os Estados Unidos.