16/04/2003 14h11 – Atualizado em 16/04/2003 14h11
ATENAS — Os 15 líderes da União Européia, reunidos na Grécia para assinar um tratado que abrirá o bloco a mais 10 países, prometeram nesta quarta-feira deixar de lado suas divergências sobre o Iraque e afirmaram estar dispostos a trabalhar juntos e com os Estados Unidos na reconstrução iraquiana.
O início da reunião de cúpula, em Atenas, foi marcado por um protesto violento, realizado por manifestantes contrários à guerra.
A Polícia grega usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que responderam lançando bombas incendiárias e pedras. Pelo menos 50 pessoas foram detidas.
Nas conversações, a Grã-Bretanha, que é a principal aliada dos Estados Unidos na campanha militar, e a França, que liderou o campo oposto à ação, buscaram superar as tensões que vêm marcando suas relações.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o presidente francês, Jacques Chirac, tiveram seu primeiro encontro desde o início da guerra.
Os dois líderes conversaram durante 20 minutos, no que uma autoridade britânica classificou de um encontro “perfeitamente agradável”.
Chirac disse que seu país – que até recentemente exigia um papel central para as Nações Unidas no Iraque pós-guerra – será flexível com os EUA e a Grã-Bretanha, cujas forças agora controlam o país árabe.
Washington deixou claro que não pretende deixar o papel central para a ONU.
“A cada caso, nós teremos que encontrar o equilíbrio correto entre o papel das Nações Unidas, que deve ser essencial, e o das forças norte-americanas e britânicas em campo”, disse a porta-voz de Chirac, Catherine Colonna.
O premier Blair, que também se encontrou com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na capital grega, disse: “Nós concordamos sobre a importância do papel das Nações Unidas”.
“Nós concordamos que deveria haver respeito por questões humanitárias, mas também respeito pelas questões políticas e de reconstrução que surgirem… Eu gostaria de ver os Estados Unidos e nós próprios, a Europa, trabalhando em parceria, juntos, para tornar isso claro”, acrescentou.
Já o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, disse que a crise iraquiana mostrou que a União Européia precisa desenvolver uma política externa comum e nomear um ministro das Relações Exteriores comum.
“A União Européia não foi construída para lidar com questões de guerra e paz”, acrescentou. “Isso mudou nos últimos anos, mas ainda não chegamos lá”.
A reunião dos líderes dos 15 países do bloco foi realizada principalmente para a assinatura do tratado sobre a expansão para incluir, em maio de 2004, mais 10 nações – Polônia, Hungria, Eslovênia, Eslováquia, Lituânia, República Checa, Estônia, Letônia, Chipre e Malta.
(Com informações da Reuters)