07/04/2003 16h04 – Atualizado em 07/04/2003 16h04
BAGDÁ – No 19º dia da guerra lançada pelos Estados Unidos ao regime de Saddam Hussein no Iraque, forças americanas abriram com bombas e tiros seu caminho até o coração de Bagdá na manhã desta segunda-feira (madrugada no Brasil), assumindo posições-chave ao longo da margem oeste do Rio Tigre. As tropas invasoras capturaram o principal palácio de Saddam, invadiram outros dois e avançaram por uma grande fatia da capital iraquiana – no maior ataque terrestre desde o começo do conflito.
Houve resistência de forças leais a Saddam em várias partes da cidade. Ao menos dois fuzileiros navais americanos morreram, seis ficaram feridos e outros seis desapareceram durante a operação no centro. Num incidente separado, dois soldados americanos e dois jornalistas morreram quando um míssil iraquiano atingiu um centro de comunicações militar dos EUA no sul de Bagdá, perto do antigo Aeroporto Internacional Saddam.
Baixando as expectativas – Comandantes americanos afirmaram que três batalhões do Exército permanecerão em Bagdá por tempo indeterminado, ao contrário do que aconteceu no sábado, quando forças dos EUA realizaram sua primeira incursão na cidade mas abandonaram o local após três horas de batalha com iraquianos. Os militares dos EUA, no entanto, exortaram jornalistas a não superestimar o ataque de segunda-feira, dizendo que a operação era uma demonstração de força mas não necessariamente representava a propalada “batalha por Bagdá”.
- A ação tem como objetivo enviar um sinal poderoso ao regime, de que as forças da coalizão podem ir onde quiserem, quando quiserem – disse o militar, que pediu anonimato.
Falando do teto do Hotel Palestine, na outra margem do Rio Tigre do lado oposto aos palácios ocupados, o Ministro da Informação do Iraque, Mohammed Said al-Sahaf, insistia em afirmar que as tropas americanas não tinham entrado na capital.
- Não acreditem nestes invasores, nestes mentirosos. Não há qualquer de seus soldados em Bagdá – disse ele a repórteres.
Os soldados americanos entraram em Bagdá por volta das 6h (horário local), com cerca de 70 tanques M1 Abram e 60 veículos de combate Bradley. Eles foram protegidos pela vigilância de aviões não-tripulados e pelas bombas de aeronaves destruidoras de tanques do tipo A-10 Thunderbolt II – conhecidas como “Warthogs”. A coluna se moveu pela Estrada 8 rumo ao norte da capital, na direção do Palácio Republicano. À medida que os tanques invasores avançavam, alguns soldados da temida Guarda Republicana do Iraque foram vistos fugindo pelas margens do Rio Tigre. Alguns chegaram a pular na água.
Após enfrentar resistência aparentemente não-coordenada das forças iraquianas, os americanos tomaram o Palácio Republicano (principal escritório e complexo de segurança de Saddam) e o Palácio Sijood, ambos às margens do Tigre. Na periferia sul da cidade, um batalhão armado da divisão de infantaria invadiu um velho palácio presidencial perto do Aeroporto Internacional de Bagdá. Havia relatos não confirmados de que forças americanas atacaram outras instalações do governo, entre elas o Ministério da Informação, o Hotel Al-Rashid e uma base do Exército iraquiano. De acordo com a agência Reuters, no entanto, o hotel e o ministério foram cercados e não ocupados.
Contradições – Comandantes americanos disseram ter enfrentado resistência document.write Chr(39)moderadadocument.write Chr(39) de document.write Chr(39)pequenos gruposdocument.write Chr(39) de iraquianos leais a Saddam, que segundo eles carregavam apenas armas leves e lançadores de granadas. O cenário descrito por um correspondente da Reuters era bem diferente: ele disse que a capital do Iraque havia se transformado num campo de batalha urbana. O espaço entre os prédios do hotel Al-Rashid e o Ministério da Informação foi descrito como “terra de ninguém”, com integrantes da Guarda Republicana assumindo posições de defesa, carregando lançadores de granadas.
Tiros de metralhadora e morteiros foram disparados contra tropas invasoras que tentavam tomar pontes no rio Tigre, ponto estratégico para os aliados. Muitas das pontes estavam sob controle iraquiano e algumas teriam sido destruídas para impedir a passagem dos americanos. Dois fuzileiros morreram na luta para tomar duas pontes, quando um morteiro disparado por iraquianos do outro lado do rio atingiu seu comboio. Horas após o início do ataque, o general de brigada americano Vincent Brooks admitiu que o Iraque ainda tem capacidade na área militar a despeito do ataque desta segunda-feira.
Poder no chão- Emissoras de TV mostravam cenas dramáticas de destruição em locais que foram símbolos do poder absoluto de Saddam nos seus 24 anos na Presidência do Iraque. Num gesto de conquista, os americanos detonaram e derrubaram uma estátua de Saddam montado num cavalo, que adornava o Parque Zawra, no centro. Um comandante americano disse que a queda da estátua abriria caminho para que a bandeira dis EUA fosse cravada no coração da cidade.
- Queremos remover qualquer vestígio do governo que ainda exista – disse o militar.
O ataque da manhã desta segunda-feira ocorreu horas depois de as forças dos EUA posicionadas em torno de Bagdá terem avançado na direção norte por ambos os flancos da capital, capturando estradas cruciais que levavam à cidade. As investidas detonaram várias batalhas mas nenhuma resistência coordenada de forças iraquianas. Segundo comandantes americanos, o objetivo da operação era isolar a capital iraquiana e impedir que Saddam ou seus aliados fugissem. A estrada que liga Bagdá a Tikrit – cidade natal do ditador e bastião da minoria sunita que controla o país – havia sido fechada no domingo. Analistas afirmaram que o cerco completo de Bagdá era um prenúncio de uma campanha para estrangular o governo de Saddam pouco a pouco e desmoralizar as forças de guerrilha lealistas que prometiam defender o ditador até à morte.