02/04/2003 13h59 – Atualizado em 02/04/2003 13h59
SÃO PAULO – Os mercados brasileiros viveram uma onda de otimismo na manhã desta quarta-feira, embalados principalmente pelo cenário doméstico favorável. O dólar rompeu a barreira psicológica dos R$ 3,30 e fechou a manhã em baixa de 1,02%, cotado a R$ 3,277 na compra e R$ 3,279 na venda. Desde 14 de janeiro a cotação não ficava abaixo de R$ 3,30.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a manhã em alta de 2,85%. O C-Bond voltou a subir e o risco-país continuou a operar abaixo dos 1.000 pontos-base. A previsão é de queda ainda maior do risco, se o governo confirmar a expectativa de aprovação da emenda constitucional para regulamentação do sistema financeiro, prevista para hoje.
O fechamento de acordo do governo para aprovação do artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro, anima os investidores desde ontem, por sinalizar a possibilidade de se alcançar a autonomia do Banco Central (BC). A coesão, inclusive com os document.write Chr(39)document.write Chr(39)radicais do PTdocument.write Chr(39)document.write Chr(39), também indica boas chances de o governo conseguir avançar nas reformas estruturais esperadas para este ano.
- A sinalização política foi bem recebida pelos agentes econômicos e a votação de hoje tem tudo para demonstrar que o governo dispõe de uma base suficiente para aprovar também as reformas prometidas. Nesse sentido, a decisão de encaminhar os projetos das reformas Tributária e da Previdência até o final do mês, somada aos excelentes resultados da balança comercial e das contas fiscais, tem contribuído para melhorar de forma consistente a percepção de risco dos agentes econômicos – disse Luiz Rabi, economista-chefe do BicBanco.
O economista defende ainda que o governo aproveite o bom momento da economia para corrigir um problema importante no que diz respeito à dívida pública. Rabi defende a atuação do governo no sentido de reduzir o endividamento em dólares e juros pós-fixados, elevando a parcela de títulos atrelados a juros prefixados.
- É preciso aproveitar o bom momento que está se formando para elevar a participação dos títulos prefixados na dívida pública, que hoje não chega a 2% do total, quando em 1997 era de 30%. Ao mesmo tempo, é interessante diminuir a rolagem das dívidas e dos swaps cambais sob pena de se valorizar desnecessariamente a taxa real de câmbio, prejudicando o ajuste das contas externas – afirmou.
AÇÕES – O Índice Bovespa chegou ao fim da manhã em 11.926 pontos. O volume financeiro às 13h30m totalizava R$ 390 milhões. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 11.997 pontos, com valorização de 3,49%.
Em alta pelo segundo dia consecutivo, a bolsa paulista acompanha as fortes altas das bolsas européias e americanas e repercute a nova lua-de-mel dos investidores com o governo brasileiro e os fundamentos econômicos do país. À espera de uma vitória do governo na votação da emenda constitucional sobre o sistema financeiro, os investidores voltaram ao rali de compras.
Telemar PN, carro-chefe da bolsas, tem alta de 5,20% e é negociada por R$ 30,51 o lote de mil ações. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores alas são de Copel PNB (+7,6%) e Net PN (+7,1%). As maiores quedas são de Bradespar PN (-2,8%) e Siderúrgica Tubarão PN (-2,1%).
RISCO – Os principais indicadores de risco Brasil continuam sinalizando uma forte melhora da confiança dos investidores no país, informou o Valor Online. Às 14h20m, o Embi+ brasileiro, calculado pelo banco de investimentos J.P. Morgan, registrava baixa de 1,62%, aos 973 pontos.
O C-Bond, no mesmo horário, registrava valorização de 0,94%, sendo negociado nos principais mercados internacionais a 81,72% de seu valor de face.
CÂMBIO – Esta é a quinta sessão consecutiva de queda do dólar, que parece não mostrar resistência à tendência. Segundo operadores, as ordens de venda têm várias origens, como os ingressos das captações externas e das exportações. Com a crescente confiança dos investidores estrangeiros na austeridade fiscal do governo brasileiro, os bancos estão desmontando posições compradas. Uma instituição nacional desmontou cerca de US$ 50 milhões ontem, além de ter trazido mais US$ 60 milhões relativos a uma captação concluída recentemente.
- As saídas continuam acontecendo, já que o dólar está atrativo do ponto de vista de quem tem compromissos no exterior. Mas a oferta é superior à demanda e não há resistência, porque as previsões são otimistas – disse um profissional.
JUROS – O mercado de juros futuros foi outro importante destaque nesta quarta-feira. Todas as projeções dos juros, até o início de 2004, estão sendo negociadas por taxas inferiores à Selic vigente, de 26,50%. Esse é um sinal claro de que o mercado já começa a apostar no corte dos juros básicos, que hoje têm viés de alta.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o Depósito Interfinanceiro (DI) de julho, o mais negociado, está em 26,44% ao ano. O DI de janeiro 2004 recua para 26,38%.