28/03/2003 08h40 – Atualizado em 28/03/2003 08h40
Fabiana Futema Agência Folha Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem em São Paulo reduzir a taxa de juros, uma de suas promessas de campanha eleitoral. Ele reafirmou, como presidente, que nenhum país poderá se desenvolver se a taxa de juros for maior do que o lucro da produção. Lula disse que, no entanto, é preciso criar condições para reduzir a taxa de juros. Entre as condições estão a aprovação das reformas tributária e previdenciária. Lula pretende encaminhar as duas propostas de reformas em abril ao Congresso. O presidente, porém, não disse quando reduzirá os juros. Preferiu usar uma frase, que, segundo ele, ouve sempre do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em relação à cautela necessária para adotar um novo modelo de política econômica. “O Brasil é como um navio e nunca se dá cavalo de pau em navio”, declarou. Lula mandou um recado para aqueles que duvidam de sua capacidade de governar o país sem ter maioria congressual: “Eu sei que quando ganhei as eleições, todos os senhores achavam que o Brasil iria entrar em bancarrota. Afinal, eu não sabia nem falar inglês. Mas eu volto a dizer. Vou cumprir tudo o que prometi. Maioria no Congresso se constrói. Vamos fazer o que tem que ser feito, pois sem as reformas o Brasil não dará o salto de qualidade que precisa dar”. Preparar economia Segundo o presidente, é preciso preparar a economia para voltar a aplicar uma política de redução de juros, além de recuperar a credibilidade para os que têm potencialidade de investimento. “O governo fará neste primeiro ano o que for possível ser feito e, a partir do ano que vem, fará o que precisa ser feito”, disse ele. Segundo Lula, o Brasil voltará a crescer, reduzirá juros e executará políticas sociais. “Vocês terão belíssimas surpresas”, afirmou Lula. O presidente aproveitou a cerimônia de posse da nova presidência da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), no clube Monte Líbano, em São Paulo, para defender Palocci. Lula disse que foi chamado de maluco, quando indicou Palocci para o cargo, muita gente dizia que um médico não entendia de economia. “Indiquei um médico porque por trás de números existem crianças, mulheres e homens”, disse. O presidente mandou um recado para os que dizem que Palocci não tem experiência, recordando que a taxa de risco chegou a 2.400 pontos, o dólar beirou os R$ 4,00 e a inflação estava em alta em 2002.



