06/02/2003 14h12 – Atualizado em 06/02/2003 14h12
Santa Catarina foi o principal Estado exportador, mandando para fora do País 162.700 toneladas e ganhando US$ 17,1 milhões com a venda da fruta para o mercado externo. O Rio Grande do Norte exportou 55 mil toneladas (US$ 13,6 milhões), São Paulo, 9.500 toneladas (US$ 997 mil) e Minas Gerais, 3.700 toneladas (US$ 431 mil). A variedade mais consumida e exportada é a nanica. A Argentina continuou sendo o principal comprador da banana brasileira, pagando US$ 18 milhões pelas 163 mil toneladas da fruta importadas no ano passado. O país é seguido, no ranking de compradores, por Uruguai e Reino Unido, que importaram 39.400 e 30 mil toneladas, respectivamente.
Apesar de muito tímidas diante da produção de 6,7 milhões de toneladas (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as exportações brasileiras de banana in natura, seca ou em forma de purê têm crescido. “Em 2000, exportamos 71.800 toneladas, em 2001, 105 mil toneladas e mais que o dobro disso em 2002. Mas ainda estamos bem lá embaixo no ranking de exportações, apesar de sermos um dos maiores produtores”, afirma o engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati-Registro), Luiz Antonio Penteado, gerente do Programa Integrado da Fruta/Banana. Os principais concorrentes no mercado externo são Equador, Costa Rica e Colômbia, que perderam parte de suas exportações no ano passado. A crise econômica que se instalou na Argentina e no Uruguai atingiu os concorrentes do Brasil porque a banana era cotada em dólar. O preço da fruta ficou tão alto para a Argentina que a melhor opção foi comprar banana brasileira.
Segundo informações da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), o Brasil é o terceiro produtor de bananas do mundo. O primeiro é a Índia, com 16 milhões de toneladas por ano, seguida pelo Equador, com 7,5 milhões de toneladas.
Cuidados – Em Santa Catarina, maior exportador, constatou-se em 2002 um crescimento de 7,5% no rendimento médio das lavouras, segundo o Instituto de Planejamento e Economia Agrícola daquele Estado (Cepa/SC). Foram cultivados 29.100 hectares, esperando alcançar produção de 626 mil toneladas. De acordo com o pesquisador Admir Tadeo de Souza, “do ponto de vista financeiro, a atividade também tem sido um sucesso”. De janeiro a outubro de 2002, a receita acumulada com a atividade era de US$ 27,7 milhões, superando em 73,3% o montante conseguido no ano anterior, no mesmo período. O Estado participou com mais de 60% do volume exportado pelo País. O Estado de São Paulo é o maior produtor brasileiro, com 61.296 hectares de área plantada. Só a região do Vale do Ribeira, com 48.500 hectares de bananais (78% da área do Estado), produziu 1,2 milhão de toneladas na última safra, de acordo com dados da Cati-Registro. Mas ainda perde em exportações para Santa Catarina e Rio Grande do Norte. Souza alerta, porém, para as perdas significativas na cadeia produtiva.
Segundo levantamento feito pelo Cepa, do pomar até chegar ao consumidor final, elas chegam a 30% – 3% na lavoura, 2% no encaixotamento, 6% no segmento atacadista, 14% no segmento varejista e 5% no consumidor. Alguns procedimentos podem ajudar a melhorar a qualidade da fruta: adubação mineral e orgânica, irrigação, combate de pragas e doenças, poda das pencas e do coração do cacho, entre outros.
Dificuldades – De acordo com a equipe técnica de pesquisa em banana da Embrapa Mandioca e Fruticultura, a principal dificuldade do produtor, principalmente do pequeno, é a descapitalização e a falta de crédito. “A organização deficiente dos produtores e a falta de associativismo dificultam a comercialização do produto”, dizem os pesquisadores. A assistência técnica insuficiente e a dificuldade de acesso às informações tecnológicas são outras dificuldades, avaliam.
Eles reconhecem, entretanto, que algumas tecnologias têm ajudado o setor. O lançamento de variedades produtivas resistentes a pragas e doenças – como a sigatoka negra – é um exemplo. Entre outros avanços, os técnicos citam a micropropagação e certificação de mudas, o uso da irrigação e fertirrigação principalmente na região semi-árida, o uso de coberturas e, conseqüentemente, a redução da quantidade de fertilizantes utilizada e o controle biológico. “A evolução tecnológica tem propiciado melhor qualidade de vida do produtor, maior renda, melhor qualidade do produto e menor agressão ao meio ambiente.”
Fonte: Estado de São Paulo