17/01/2003 08h56 – Atualizado em 17/01/2003 08h56
NOVA YORK – Quem morre de medo de se sentar na cadeira do dentista, mas deseja manter um cuidado diário mais eficiente da dentição, deve optar pelas escovas de dentes elétricas, aquelas que fazem movimentos de rotação e oscilação, em vez das tradicionais, segundo um novo estudo.
A descoberta foi feita pelo setor de saúde dental da Cochrane Collaboration, uma organização não-governamental e sem fins lucrativos que reúne e analisa dados de estudos sobre cuidados de saúde.
As escovas de rotação e oscilação – aquelas que giram numa direção e depois em outra – removeram até 11 por cento mais placas e reduziram o sangramento das gengivas em até 17 por cento a mais do que as escovas manuais ou outras elétricas, de acordo com a entidade.
Os resultados foram compilados pelo Grupo Cochrane de Saúde Oral, com sede em Manchester, na Inglaterra. Foram analisados dados de testes clínicos conduzidos ao longo de 37 anos.
O estudo extraiu dados de relatórios sobre 29 testes clínicos envolvendo 2.547 participantes na América do Norte, na Europa e em Israel.
Alguns dos testes datavam de 1964, enquanto outros continham dados recentes, de 2001.
Os testes compararam a eficiência de todas as formas de escovas – as manuais e mais seis tipos de escovas elétricas, com cabeças que se movem mecanicamente – usadas em períodos de um mês e três meses.
Segundo as descobertas, somente as escovas que fazem o movimento de oscilação rotacional mostraram-se mais eficientes do que as manuais na redução da placa bacteriana e da gengivite.
Os resultados não explicaram por que as escovas elétricas de oscilação rotacional são mais eficientes do que as demais elétricas com movimento apenas circular ou de lado a lado.
Embora o estudo não lide com benefícios de longo prazo para a saúde dental, Richard Niederman, periodontista e diretor do Forsyth Center, o considerou “um grande primeiro passo”.
“Elas reduzem a placa bacteriana que causa doença”, disse o especialista a respeito das escovas de oscilação rotacional. “A próxima coisa a ser vista é se realmente reduzem as cáries ou a doença periodontal”.
O movimento das escovas elétricas é até 100 vezes maior que o das escovas comuns, segundo Niederman.
O Dr. Kenneth Burrell, diretor sênior do Conselho de Assuntos Científicos da Associação Dental dos Estados Unidos (American Dental Association), disse que as descobertas, se comprovadas, poderiam ser úteis para auxiliar os dentistas a fazer recomendações a seus pacientes.
“Mas isso ainda não quer dizer que todo homem, mulher ou criança deve abandonar a escova que usa atualmente”, declarou Burrell.
“Quem usa uma simples escova manual, mas tem um bom conhecimento de como fazer a escovação pode se sair tão bem quanto alguém que usa uma escova elétrica, não importando o seu design”, acrescentou.
O especialista explicou que duas coisas causam o efeito da escovação:
“Uma é escova usada, e a outra é a pessoa que segura a escova”.
Ou seja, se a escovação for feita incorretamente, não importa o tipo de escova usada, segundo Burrell.
“O que essa análise nos diz é que uma pessoa comum, fazendo um esforço mediano, vai obter melhor efeito do que usando outras escovas”, acrescentou.
Segundo William Shaw, que ajudou a compilar os dados para a Cochrane Collaboration, “se você pode pagar por uma escova elétrica de oscilação rotacional e esta lhe faz bem, ela lhe oferece uma modesta melhora na capacidade de limpar seus dentes”.
Fonte: Reuters