04/11/2002 09h18 – Atualizado em 04/11/2002 09h18
SÃO PAULO – O dólar comercial abriu hoje em baixa de 0,55%, cotado a R$ 3,57 na compra e R$ 3,58 na venda. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para liquidação em dezembro está em R$ 3,525, com baixa de 0,64%.
O mercado financeiro testa nesta semana se os ativos brasileiros têm fôlego para mais rodadas de valorizações, como observado na semana passada. Graças à súbita melhora do humor dos investidores em relação à transição de governo, o dólar encerrou o mês de outubro em queda de 3,46% e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em alta de 17,9%.
Profissionais do mercado afirmam que as declarações de líderes petistas garantindo a austeridade fiscal e o cumprimento de metas fizeram desnecessárias as posições extremamente defensivas dos bancos. Como não há no cenário motivo para se crer na ruptura da atual política econômica, os grandes investidores iniciaram um movimento de ajustes, de forma a manter posições consideradas mais adequadas ao momento.
Com isso, o dólar perdeu parte de sua atratividade e as ações e títulos brasileiros ganharam mais atenção, inclusive de investidores estrangeiros. O primeiro sinal claro dessa maior confiança na transição foi visto na semana passada, quando o Banco Central conseguiu renovar a totalidade de uma dívida cambial de US$ 1,955 bilhão, e com taxas menores.
O efeito manada que antes se observava nas constantes altas do dólar e quedas das ações desta vez se inverteu, o que gera cautela, uma vez que o cenário político ainda é cheio de indefinições. Apesar da maior confiança no processo de transição, há sérias preocupações com a inflação e a fixação do salário mínimo.
Analistas acreditam que o dólar tem mais espaço para cair, mas não muito. Isso porque as dívidas do setor público e privado ainda manterão aquecida a demanda pela moeda americana. Mesmo assim, anima os profissionais o fato de as taxas de juros estarem caindo, o que pode indicar que as linhas de financiamento externo às empresas brasileiras podem voltar a ficar viáveis. Se isso acontecer, as dívidas que têm sido pagas integralmente poderão voltar a ser renegociadas. Além disso, o mercado vem registrando ingressos de recursos externos, que atendem boa parte da demanda.
Nesta semana, as atenções continuam voltadas aos novos nomes da equipe de transição do governo Luiz Inácio Lula da Silva e os direcionamentos apontados pelos líderes petistas. A divulgação de índices de inflação também deve concentrar as atenções, principalmente depois do reajuste dos combustíveis em vigor a partir de hoje. O cenário internacional também é destaque, já que nos Estados Unidos há eleições legislativas e a reunião do Federal Reserve.
Os títulos da dívida externa brasileira operam com valorização significativa nesta manhã, acompanhando o bom desempenho das bolsas internacionais. Às 9h20m, o C-Bond subia 2,84%, cotado a US$ 0,61.
No mercado acionário, a novidade é que, com o horário de verão, a partir de hoje a Bovespa passa a abrir uma hora mais tarde, às 11h. O objetivo é adequar o horário de funcionamento do mercado brasileiro ao americano.
Fonte: GloboNews