10/10/2002 01h53 – Atualizado em 10/10/2002 01h53
Sonia Carneiro
JB On-Line
Da Sucursal de Brasília
BRASÍLIA – O deputado eleito mais votado do Brasil, Enéas Carneiro, do Prona, com 1,5 milhão de votos, está sendo disputado quase a tapas pelos candidatos ao segundo turno das eleições presidenciais, José Serra, do PSDB e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Os coordenadores das campanhas dos dois candidatos telefonaram ontem para os comitês do Prona no Rio e em São Paulo, mas Enéas, que é cardiologista, passou o dia num curso de eletrocardiograma. No comitê de Serra, os coordenadores Michel Temer e José Anibal afirmaram que Enéas tem que ser reconhecido como um líder influente.
Enéas é só uma parte da temporada de caça a novos aliados na disputa do segundo turno. Serra e Lula puseram seus principais coordenadores de campanha no encalço dos governadores e parlamentares eleitos. Nos 12 Estados em que a eleição fechou em primeiro turno, Serra tem o apoio dos governadores de maior peso político, como Aécio Neves (PSDB), em Minas, Jarbas Vasconcelos (PMDB) em Pernambuco, e Marcelo Miranda (PFL), em Tocantins. A dúvida é Paulo Souto, do PFL, eleito governador da Bahia, que segue orientação de Antonio Carlos Magalhães.
No Amazonas, Eduardo Braga, do PPS, ligado a Amazonino Mendes, do PFL, poderá apoiar Serra. Bairo Maggi, do PPS, insiste em apoiar Lula, do PT, para derrotar Marisa Serrano, do PSDB. Mas como seu apoio sequer foi examinado pelo PT no primeiro turno, ele está sendo assediado por Serra.
Nos Estados de Santa Catarina e Paraná, a tendência dos candidatos que disputam o segundo turno é apoiar Lula. Luís Henrique da Silveira (PMDB) anunciou ontem estar disposto a apoiar o petista. Ele disputará contra o governador Esperidião Amin, do PPB. Luiz Henrique depende da resposta do PT a uma proposta de de entendimento. Amin manteve o apoio a Serra.
No Paraná os dois candidatos ao governo do Estado poderão apoiar Lula. O senador Roberto Requião, do PMDB, já esteve com o PT no primeiro turno. Álvaro Dias, do PDT, não gosta de Serra.
Na Paraíba, o presidente estadual do PT, Adalberto Fulgêncio, defendeu a manutenção do apoio de Roberto Paulino, do PMDB, a Lula. Mas com a condição de que o PT paraibano apóie Paulino no segundo turno. Cássio Cunha Lima, do PSDB, mantém o apoio a Serra.
Em alguns estados, o PT terá que apagar as feridas do primeiro turno. No Amapá, o ex-governador e senador eleito João Capiberibe, do PSB, quer apoiar Lula, mas espera uma explicação da direção nacional do PT para os ataques feitos contra ele pela candidata do PT, Dalva Figueiredo.