10/10/2002 01h27 – Atualizado em 10/10/2002 01h27
Tudo estava preparado para a grande festa. A polícia fechou o tráfego na Avenida Paulista, o ponto de referência na maior cidade do Brasil. Uma grande tribuna com telas gigantes estava armada para receber os líderes do Partido dos Trabalhadores. Eram esperadas milhares ou dezenas de milhares de pessoas dispostas a celebrar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições. Mas isso era quando boa parte da direção e da militância ainda tinha certeza de que Lula seria proclamado presidente ainda na noite de domingo.
A realidade caiu como um balde de água fria que abortou a festa. A apuração eleitoral provocou mais de um ataque de nervos. O moderno sistema informatizado de urnas eletrônicas que foi apresentado como único no mundo não foi tão perfeito.
As pesquisas de boca de urna brilharam por sua ausência, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral pedia aos meios de comunicação que não se precipitassem e aguardassem instruções. E assim passaram os minutos, com os colégios eleitorais teoricamente fechados -embora em alguns se continuasse votando- e sem um único dado ou estimativa sobre a votação.
Até que a consultoria Ibope se atreveu a romper o gelo e anunciou que, segundo suas projeções, Lula obtinha 49% dos votos. Levando em conta que a margem de erro era de 1%, o candidato do PT beirava a maioria absoluta no primeiro turno.
Pouco entusiasmo
O presidenciável chegou ao quartel-general de sua candidatura quando começaram a se conhecer, com considerável atraso, os primeiros votos apurados. A porcentagem era menos otimista.
Pouco a pouco ficou claro que Lula não alcançaria os 50%. “Ele falará na sede do PT quando tivermos resultados oficiais significativos”, anunciaram seus porta-vozes. “Ele irá à Avenida Paulista”, corrigiram mais tarde. Lula continuava trancado com alguns colaboradores.
Finalmente se confirmou o esperado: Lula não falou em nenhum lugar. Vários dirigentes foram para a rua animar seus seguidores. Pouco antes da meia-noite não passavam de 1 mil, com suas bandeiras e cartazes. A cena era curiosa.





