A grande maioria das pessoas, hoje, sabe do “poder da sedução” das redes sociais. Além de conversar com os amigos, há filtros para fotos e vídeos, brincadeiras e jogos cativantes, informação à vontade.

No entanto, tudo isso acompanha um risco: o contato com informação não confiável e com pessoas desconhecidas. Por isso as redes determinam idades mínimas para o acesso. Após uma chuva de perfis infantis, por exemplo, o Instagram estipulou que usuários com menos de 13 anos teriam seus perfis banidos da rede.

Apesar disso, muitas vezes os pais não conseguem deixar as crianças fora desse ambiente – seja porque “todos os amigos usam” ou porque os filhos precisam das redes para pesquisas para trabalhos de escola.

Internautas participaram de enquete informal sobre controle parental na rede.

Uma pesquisa realizada informalmente na página do jornalista Ricardo Ojeda mostra que a imensa maioria dos pais e mães em Três Lagoas controla as redes sociais dos filhos. Mas será que esses pais sabem mesmo o que as crianças fazem nas redes?

Homem Pateta e Baleia Azul

Casos que incentivavam crianças à autoviolência, como da Baleia Azul e do Homem Pateta, ocorridos nos últimos tempos, mostram que, mesmo com a impressão de que está tudo sob controle, muitas vezes os pais não têm ideia dos passos dos pequenos nas redes.

De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de cibersegurança Kaspersky metade das crianças brasileiras possui perfis nas redes sociais. Ao mesmo tempo, 20% dos pais admitem ignorar completamente as informações que seus filhos compartilham na internet.

Conversa é a melhor ferramenta

A falta de atenção em relação à vida (geral e digital) das crianças é, na visão de Fabio Assolini, analista sênior de segurança na internet, a principal brecha para que casos como esse continuem acontecendo. De acordo com o especialista, o envolvimento de jovens com criminosos ou grupos que estimulam a prática de violência tem relação com insegurança, e a ideia de que a internet é um ambiente anônimo ajuda a externar a angústia que o próprio agressor sente. E quando os pais não participam da vida de seus filhos, eles acabam alheios aos sinais, tanto quando a criança sofre ou gera algum tipo de bullying ou violência.

“A conversa é a principal arma para evitar e solucionar ambos os casos: da vítima e do causador da violência. Normalmente, quem faz bullying pode sentir inveja ou ciúmes por outra criança ou adolescente ter algo que ela não tem – e não me refiro a bens materiais, normalmente a motivação é emocional, familiar ou social”, explica Assolini.

Outra solução, segundo o analista, é a instalação de programas de controle parental. Além de permitir o bloqueio a sites que possam gerar algum risco à segurança, é possível ativar recursos como bloqueio de mensagens que utilizem termos relacionados a bullying ou aliciamento. De acordo com levantamento da Kaspersky, empresa especialista em segurança digital, menos de 30% dos pais utilizam esses recursos com os filhos.

O perigo da pedofilia

Um dos perigos que mais assustam os pais de crianças que estão nas redes sociais é a pedofilia. Por trás de uma foto de criança ou de um ídolo infantil, criminosos passam-se por “novos amigos”, infiltram-se nas redes e contam com a inocência infantil para conseguir informações, fotos, vídeos e, muitas vezes, até marcam encontros em que podem ocorrer abusos físicos.

Para ajudar a desenvolver essa conversa em casa o Ministério Público Federal criou uma cartilha com dicas de como proteger os filhos da pornografia infanto-juvenil na internet. O material pode ser baixado neste link.

Confira algumas atitudes que os pais podem tomar para evitar que seus filhos se coloquem em risco na internet:

  • Nunca deixe a criança colocar informações pessoais, como endereço residencial etc;
  • Crie um diálogo franco com os filhos e uma rede de confiança para que, em casos suspeitos, a criança comunique a família;
  • Explique para que a criança entenda o que é assédio, com isso ela consegue identificar melhor;
  • Caso precisar, bloqueie determinados sites para que a criança não tenha acesso.

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