18/03/2016 12h43 – Atualizado em 18/03/2016 12h43

O bloqueio durou cerca de 1h, mas o suficiente para formar longas filas nos dois lados da via. O objetivo da manifestação foi mostrar a indignação dos três-lagoenses com a atual situação política do país

Daniela Silis e Ricardo Ojeda

Um grupo de empresários organizou uma manifestação pacífica na manhã dessa sexta-feira (18) em Três Lagoas. Vestidos de preto e carregando faixas, bandeiras e placas pedindo um basta na corrupção política no Brasil e o impeachment da presidente Dilma Roussef, eles bloquearam a passagem da ponte na usina Jupiá, no km 1 da BR-262, local de divisa dos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. O protesto durou cerca de uma hora desde a chegada dos manifestantes ao local da paralisação.

O ponto de partida foi o posto São Luiz às 9h45, na saída para a divisa com o estado de São Paulo. No local os manifestantes se organizaram para sair em carreata até o km 1 da rodovia, no aterro da usina hidrelétrica de Jupiá, onde chegaram às 10h e bloquearam a passagem da via. A Polícia Rodoviária Federal esteve no local para monitorar e controlar os manifestantes e demais veículos que ficaram parados pelo bloqueio.

Fotos da galeria abaixo: Ricardo Ojeda

MANIFESTANTES

Além dos empresários que organizaram o movimento, também estavam presentes professores, caminhoneiros, aposentados, estudantes entre outros. A estudante de 17 anos Vitória Ribeiro foi com a mãe reivindicar melhoras na política do país. “Estou aqui hoje em busca de um país melhor. Por mim, tem que tirar todo mundo do governo, porque está uma bagunça geral. Não é só a presidente que está roubando, não são apenas eles que estão envolvidos, o esquema é muito maior”, afirmou a estudante.

O professor José Basan, de 57 anos, também esteve no manifesto, concorda com Vitória e diz ter vergonha da atual situação do país. “Eu não aguento mais essa bandalheira, eu acho que o povo tem que tomar uma atitude e vir pra rua. Além de tirar a presidente tem muitas outras coisas que temos que fazer, não é só tirar ela não. Tem muito políticos lá que tem que sair também.”

CONTRÁRIOS

Quem foi obrigado a parar em cima da ponte para esperar até que acabasse o movimento ficou dividido entre contra e a favor do bloqueio. Entre caminhoneiros, motoristas de veículos de passeio e motociclistas, alguns eram contra e outros eram a favor.

Fernanda Jaqueline Odsinski, caminhoneira de 27 anos, é de Canoinhas/SC e vem carregar o caminhão em Três Lagoas. Ela é a favor do protesto e diz que os manifestantes têm que paralisar a via mesmo. “Eu acho legal essa manifestação. Eu concordo e acho que todo mundo tem que parar, porque se não, isso não será resolvido”.

Assim como Fernanda, Paulo Mainart, aposentado de 66 anos, concorda com o manifesto, mas diz que deveriam deixar passar os carros que não podem ficar muito tempo ali parado. Paulo estava voltando de Aparecida do Norte. Junto a ele no carro estava a sua mãe, irmão e cunhado. “É complicado ficar aqui esperando a manifestação, porque, para quem está vindo de Aparecida [do Norte], ficar muito tempo aqui é difícil, tem pessoas idosas aqui com a gente”, afirmou o aposentado. Após algum tempo de bloqueio da via, os organizadores liberaram a passagem de alguns carros.

Já o caminhoneiro Thiago de Castro, de 24 anos, não concorda com a paralisação. Para ele, isso deveria acontecer dentro da cidade para não atrapalhar quem precisa atravessar a ponte, que é o principal acesso ao município. “Eu sou a favor da manifestação, eles estão no direito deles, tem que melhorar e pra isso o povo tem que sair pra rua. Mas eu acho que tinha que fazer mais dentro da cidade e não fechar a rodovia. Porque quando nós caminhoneiros fazemos, somos chamados de baderneiros, drogados”, concluiu Thiago.

RETORNO

Por volta das 11h os organizadores reuniram os carros que estavam no protesto para voltar à cidade. Antes de acabar a manifestação, foi feito uma carreata até o outro lado da ponte da usina Jupiá, no estado de São Paulo, onde fizeram um retorno e voltaram a Três Lagoas, com buzinas e pisca alerta.

Fotos da galeria: Daniela Silis

Devido ao grande fluxo de veículos, devido a ligação com o estado de São Paulo, em poucos minutos de manifestação formou grande extensão de congestionamento nos dois lados da rodovia (Foto: Ricardo Ojeda)

Veículos, carretas e caminhões ficaram parados e os motoristas apoiaram o movimento dos manifestantes (Foto: Daniela Silis)

O grupo de empresários que organizaram a manifestação usaram roupas pretas simbolizando luto pela atual situação que o País se encontra (Foto: Ricardo Ojeda)

A beleza das cores verde e amarela da Bandeira Brasileira contrasta com a beleza da manifestante (Foto: Ricardo Ojeda)

A empresária Sayuri Baez foi uma das principais organizadoras da manifestação e a todo instante mostrava-se preocupada com as pessoas que precisavam seguir viagem (Foto: Daniela Silis)

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