11/03/2016 18h17 – Atualizado em 11/03/2016 18h17

Ele destacou que a atuação do juiz Sérgio Moro reforça a mobilização do setor empresarial contra qualquer aumento ou criação de impostos no País

Assessoria

Após acompanhar a palestra do juiz federal Sérgio Moro nesta quinta-feira (10/03), durante o 2ª Fórum Transparência e Competitividade, realizado pela Abigraf Nacional e Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), em Curitiba (PR), para mais de 3,5 mil empresários, o presidente do Conselho Diretivo da Abigraf Nacional, Julião Flaves Gaúna, reforçou que agora o setor empresarial brasileiro passa a enxergar uma luz no fim do túnel.

“Com sua oratória, Sérgio Moro nos transmitiu a importância da participação efetiva da população para enfrentar o desafio de limpar o Brasil desses indivíduos que estão delapidando o nosso patrimônio. Nós temos duas alternativas: ou nós empurramos tudo isso para debaixo do tapete porque alguns querem ou nós enfrentamos essas adversidades para poder dar um norte para o País”, pontuou Julião Gaúna, completando que o juiz federal prometeu ir até o fim com as investigações, dando esperança ao setor empresarial brasileiro.

Ele destacou que a atuação do juiz Sérgio Moro reforça a mobilização do setor empresarial contra qualquer aumento ou criação de impostos no País. “O País precisa do seu povo e cada cidadão deve se unir para tirar a nação das mãos de gestores que estão levando o Brasil para o buraco. Não é possível mais administrar o país por meio da ferramenta de criação e de aumento de impostos. A CPMF, por exemplo, é um imposto que afetará a cada cidadão diretamente no bolso e não podemos mais admitir a volta desse tributo ou de qualquer outro”, declarou.

O presidente do Conselho Diretivo da Abigraf Nacional, que também responde pelas presidências do Sindigraf/MS e Abigraf/MS, conclama a todos para que juntos possam fazer a diferença na luta contra os constantes aumentos de impostos. “Temos de interferir na administração pública e cobrar dos nossos representantes políticos uma postura ética e honesta de trabalho, pois foi para isso que eles foram eleitos. Nós, como entidades representativas da indústria gráfica de Mato Grosso do Sul, apoiamos de forma incondicional a ação promovida pela Fiems, Fecomércio-MS, Faems, Famasul e OAB/MS e entendemos que apenas dessa forma vamos nos fazer ouvir pelo Congresso Nacional”, declarou.

A palestra

Ainda durante a palestra, o juiz federal Sérgio Moro pediu serenidade aos manifestantes que têm ido às ruas em protestos contra e a favor do governo federal. “Penso que neste momento, de certa turbulência, de certo radicalismo, claro que são compreensíveis as angústias e as reclamações diante do contexto econômico, do contexto político, do noticiário policial de cada dia. Mas ainda assim é importante que isso seja desenvolvido sem discurso de ódio, sem violência contra ninguém”, disse.

Durante a palestra, Moro também fez algumas citações aos casos que já julgou na Operação Lava Jato. Conforme o magistrado, as investigações desvendaram o que ele considera como uma corrupção sistêmica na Petrobras. Sem citar nomes, Moro lembrou a sentença que deu a um ex-parlamentar do PP, que também foi condenado pela ação penal 470, conhecida como mensalão. O juiz diz que ficou assustado ao analisar o caso já julgado, porque, de acordo com as provas, ele estava recebendo propinas mesmo enquanto era julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Pelo menos enquanto eu julguei aqui, eu confesso que fiquei assustado. Porque o sujeito, tendo a sua responsabilidade criminal discutida, com muita seriedade pelo Supremo Tribunal Federal, o Supremo Tribunal Federal todo preocupado para não condenar injustamente alguém, preocupado em analisar as provas, em emitir julgamentos seguros e, enquanto isso, esse ex-deputado continuava recebendo propina de um outro esquema criminoso”, lembrou o juiz. Embora não tenha dado nomes, o único ex-parlamentar do PP julgado por ele e também réu no mensalão é Pedro Corrêa, que está preso no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

O juiz criticou afirmações de que a Operação Lava Jato está prejudicando os investimentos no Brasil, contribuindo com a crise econômica. Para refutar o argumento, Moro citou o caso da Refinaria de Abreu e Lima (RNEST), que saiu de um orçamento de US$ 2,4 bilhões em 2005 para US$ 18 bilhões em 2015, segundo dados da própria Petrobras. Segundo Moro, funcionários da estatal ouvidos em processos da Lava Jato chegaram a afirmar que, se a refinaria funcionasse “otimamente” durante todo o período de vida útil dela, ainda assim o prejuízo seria de mais de US$ 3 bilhões. “Depois se critica que a Lava Jato prejudicou os investimentos no país, mas esse tipo de investimento? E se isso se reproduziu em outras obras da Petrobras? E se isso se reproduziu em outras obras das nossas estatais? Será que valei a pena esse tipo de investimento?” questionou.

(*) Assessoria de Comunicação da Fiems

Palestra do juiz Sergio Moro nesta quinta-feira durante o 2º Fórum Transparência e Competitividade (Foto: Assessoria)

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