04/05/2015 15h29 – Atualizado em 04/05/2015 15h29

Desde sexta-feira, passada, um oficial de Justiça do Fórum de Três Lagoas está em diligência para notificar o presidente da Setasp, da decisão do desembargador, Sérgio Fernandes Martins, sobre a ilegalidade da greve, determinando multa diária de R$ 1 mil. Porém o líder sindical até o momento não foi encontrado

Ricardo Ojeda e Patrícia Miranda

Um oficial de Justiça do Fórum de Três Lagoas está desde sexta-feira passada em diligência para notificar o presidente da do Setasp (Sindicato dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem Serviços Públicos de Três Lagoas), de decisão do desembargador, Sérgio Fernandes Martins, que concedeu a antecipação da tutela, determinando a suspensão imediata da greve, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00, que em caso de descumprimento do Sindicato, deverá arcar com o pagamento da multa.

MOVIMENTO ILEGAL

Conforme informações do secretário de comunicação da Prefeitura de Três Lagoas, Sebastião Neto na última terça-feira (28) o presidente do Setasp (Sindicato dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem Serviços Públicos de Três Lagoas) protocolou junto ao setor de RH da prefeitura, que a partir do dia 1º de maio haveria greve dos enfermeiros do município, em razão salarial.

Foi então que na quarta-feira (29), que o sindicato foi chamado para uma reunião para tratar do assunto. “A prefeitura fez uma proposta de 5% de reajuste salarial, valor que acompanha a inflação no Brasil, mas o sindicato não se pronunciou e o presidente João Carvalho não compareceu alegando que não foi convidado formalmente”, disse Sebastião.

Na quinta-feira (30) uma liminar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a suspensão da greve, pois o pedido pontua dois pontos importantes, que o serviço da saúde é totalmente essencial para a população e não deveria ser interrompido e que o sindicato não estaria devidamente registrado no Ministério do trabalho e a entidade seria ilegítima para atuar na cidade.

GREVE E MORTE

Mesmo ilegalmente, afrontando a decisão da Justiça, no dia 1º de maio os profissionais entraram em greve, paralisando as atividades normais, prejudicando substancialmente o atendimento à população. Nessa ocasião, um jovem de 27 anos procurou atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Três Lagoas com suspeita de dengue, foi medicado e voltou para casa, mas não melhorou e foi quando retornou à unidade, porém mesmo com uma equipe medica de plantão, os enfermeiros recusaram a atendê-lo, alegando estarem em greve, indicando à mulher a buscar socorro no hospital Nossa Senhora Auxiliadora. A esposa do paciente, tentou argumentar, informando da gravidade de seu marido, mas os enfermeiros não se sensibilizaram. No caminho do UPA até o Auxiliadora, o paciente veio a óbito.

NOTA À IMPRENSA

A prefeitura de Três Lagoas divulgou uma nota à imprensa sobre o ocorrido. Na nota administração municipal informa que irá apurar a morte do rapaz. Veja a íntegra.

“A Administração Municipal apura um óbito ocorrido na madrugada do dia 2 de maio, sábado, de um homem de 27 anos de idade e abriu sindicância interna para investigar possível negligência da equipe de plantão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Embora tenha sido emitida uma liminar pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinando a suspensão da greve, alguns funcionários não cumpriram a determinação judicial, insistindo na paralisação, fato este que também será de apuração pela Prefeitura e que tomará as medidas previstas em lei.”

OFICIAL DE JUSTIÇA

Na sexta-feira, um juiz de Três Lagoas determinou que um oficial de justiça notificasse da decisão judicial o presidente do sindicato da categoria, para a imediata suspensão da greve, porém o líder e nenhum responsável pelo Sindicato dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem Serviços Públicos de Três Lagoas foi encontrado para receber a notificação. Até o momento o Oficial de Justiça não conseguiu cumprir a diligência, mesmo percorrendo vários lugares e até na residência não conseguiu cumprir a notificação.

As portas da sede do sindicato permanecem fechadas, e diante dos fatos o representante da justiça procurou a secretária da entidade sindical no Hospital Auxiliadora, onde a mesma trabalha, porém a secretaria se recusou-se receber a notificação, alegando que não representava legalmente a entidade sindical. A reportagem do Perfil News tentou entrar em contato com o dirigente sindical, porém não obteve resultado positivo.




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