Enquanto a média nacional é de 1,9 em MS o número chega a 3,8; isso significa que a cada dez pessoas contaminadas outras 38 pegam o vírus; região de Dourados é a que mais preocupa

“Estamos prestes a perder o controle”. Assim, de forma definitiva, o Secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, descreveu a atual situação da pandemia de Covid-19 no Estado.

Estudo publicado ontem, 28, pelo Grupo Covid-19 Analytics, da PUC-Rio, Mato Grosso do Sul aparece entre os piores Estados do país em índice de reprodução do vírus – o chamado “índice R”.

O “índice R”, ou taxa de contaminação, representa a velocidade de contágio, ou seja, quantas pessoas são contaminadas depois de cada caso positivo.

A média nacional é de 1,9. Ou seja, para cada 10 pessoas doentes outras 19 se infectam. A epidemia é considerada “estável” quando o “índice R” é de 1.

Em Mato Grosso do Sul, o índice R era de 0,8 no final de abril. Em maio, saltou para 4,93. Agora, no final do mês, está em 3,81. Na prática, significa que a cada dez pacientes contaminados, outros 38 também se infectarão.

Apenas Goiás, com 5,63, e Rio Grande do Norte, com 4,88, têm índices de transmissão maiores.

O aumento exponencial do número de casos em Mato Grosso do Sul é devido ao aumento de casos em centros específicos. Primeiro, Guia Lopes da Laguna viu seus números dispararem, transformando o município na quinta cidade do Brasil com a maior incidência de casos.

Agora, é a vez da microrregião de Dourados. Além do número de casos disparar nos últimos dias, a região concentra a maior parte das internações: 55% dos pacientes hospitalizados no Estado estão nessa microrregião.

“É um momento de expansão da doença”, disse Resende. “Inclusive, pessoas que testaram positivo para a doença se recusam a manter o isolamento e mostram desprezo pela própria vida e pela vida de seus amigos e parentes”, afirmou.

Ainda segundo o secretário, caso os números continuem evoluindo como agora o sistema de saúde do Estado corre o risco de colapsar entre julho e agosto.

Relaxamento no isolamento

Alguns fatos contribuíram para o aumento repentino no número de confirmações de Covid em MS. O fato do Estado ter ostentado os “títulos” de Unidade Federativa com menor número de casos, menor incidência e menor ocupação de leitos hospitalares do país pode ter feito o cidadão sul-mato-grossense relaxar nas medidas preventivas e pensar que a pandemia já teria passado.

“Há poucos dias tínhamos cerca de dez internados; hoje temos 65”, afirmou o Secretário Geraldo Resende, que advertiu: “estamos muito perto de perder o controle”.

Isso porque os números só crescem. Nos últimos dias cerca de 80 casos novos são adicionados todos os dias ao gráfico.

Nas últimas semanas, MS estagnou nas taxas de distanciamento social e mais de 60% da população segue nas ruas tocando a vida normalmente. A adesão mapeada nesta quinta-feira (28) foi de 37%, repetindo o índice pelo terceiro dia seguido, e mantendo o Estado nas últimas colocações no comparativo com as demais unidades da federação.

Com taxa de recolhimento em 36,5% para o dia, Campo Grande ocupa a última posição entre as capitais brasileiras. Nos municípios do interior do Estado, o índice mapeado varia entre 22,2% (Antônio João) e 63% (Taquarussu). A taxa das demais cidades sul-mato-grossenses, pode ser conferida aqui.

Como consequência da baixa adesão ao distanciamento social, nesta sexta-feira, 29, a Secretaria de Estado de Saúde anunciou 94 novos testes positivos para a Covid-19 nas últimas 24 horas. Com a atualização do boletim epidemiológico desta sexta-feira (29.5), Mato Grosso do Sul já contabiliza 1.356 casos confirmados da doença.

O baixo isolamento faz com que mais pessoas fiquem expostas ao vírus, preocupando autoridades regionais que tem pedido de todas as maneiras que a população colabore com o tripé essencial para conter o avanço da pandemia: distanciamento social, higiene e uso correto de máscaras.

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