16/10/2015 09h07 – Atualizado em 16/10/2015 09h07

Por Rosemeire Farias*

Este artigo nasceu de uma das várias reflexões que faço em sala com estudantes de Pedagogia.

Frequentemente, tem me chamado a atenção o relato dos meus alunos quando lhes pergunto se estão felizes por terem escolhido essa carreira. Vejo na maioria a paixão pela educação. Fico empolgada e alimento mais ainda essa identificação, pois acredito no poder da educação, acredito que, ensinando às crianças, podemos ter adultos melhores. Se educarmos, ensinarmos agora, não será preciso punir no futuro.

Embora a empolgação seja evidente nas atitudes desses futuros educadores, também sinto que uma tristeza tenta apagar o brilho que eles trazem nos seus olhos.

Certa vez, debatendo sobre a necessidade da valorização aos professores, sobre a importância de lutar por mais respeito aos educadores e de não nos deixar vencer pelo desânimo, uma acadêmica, com tristeza, compartilhou: “- Professora, como encontrar forças para lutar contra o desrespeito e a desvalorização, se dentro da nossa família encontramos pessoa que não aceitam a nossa decisão por escolher Pedagogia?”.

Ela havia ouvido de uma tia as seguintes frases: “Que bom que está na universidade! Mas por que escolheu Pedagogia? Quer morrer de fome? Você deveria escolher Direito, Enfermagem, Medicina, Engenharia….”. Fiquei perplexa, sem palavras naquele momento, suspirei profundamente. E é claro que rebati o discurso.

Nada contra as outras profissões, todas têm o seu valor e são necessárias para o desenvolvimento da sociedade. Mas, o que seria dos outros profissionais se não tivessem passado pelos bancos escolares? Se não tivessem tido um professor que lhes apresentou as letras e o mundo mágico dos livros? Um profissional que contou histórias ou estórias, que cantou cantigas e brincou diversas vezes com os números e com as letras, rolando no chão se fosse preciso. Uma única resposta se tem para tais questionamentos: não seriam nada.

Se isso é fato, então por que não ser professor? Por que não escolher Pedagogia, Letras ou Matemática? Por que não é a profissão mais bem paga?! Isso também é fato. Não sei como as autoridades ainda não viram que, melhorando a educação do País, melhorar-se-á todo o resto, não precisa ser um gênio para chegar a essa conclusão. Essa é uma questão para discutirmos em um artigo futuro.

Então, a lição que tiro disso tudo nesta semana em que comemoramos o Dia do Professor é que, se não incentivarmos os nossos jovens que querem escolher a educação como campo de atuação profissional a abraçar o seu sonho e a lutar para torná-lo realidade, a profissão Professor estará com os seus dias contados, será o fim de uma das mais antigas e mais lindas profissões da humanidade. Que pena!

(*) Graduada em Letras, Direito e Pedagogia, Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, Especialista em Direito Público, Mestra em Linguística e Doutoranda em Educação e Professora.

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