14/11/2006 10h19 – Atualizado em 14/11/2006 10h19

Rio Preto News

Caiu o último obstáculo para que cheguem ao Brasil informações das Ilhas Jersey sobre a movimentação financeira do ex-prefeito paulistano Paulo Maluf naquele país. Empresas citadas nos processos contra o ex-prefeito abriram mão do sigilo mantido sobre a papelada que comprovaria a remessa de US$ 300 milhões feita por Maluf para as ilhas, que ficam no Canal da Mancha, na Grã-Bretanha. A decisão foi comunicada na última quinta-feira à Corte de Apelações de Jersey. A decisão dessas companhias abre caminho para que o procurador-geral de Jersey, William Bailache, repasse as informações sobre as contas de Paulo Maluf para os promotores do Ministério Público paulista e procuradores do Ministério Público Federal, que investigam o ex-prefeito. “Tenho satisfação em comunicar que documentos muito relevantes agora serão encaminhados às autoridades brasileiras para que prossigam em sua investigação criminal e façam suas denúncias”, disse na sexta-feira o procurador-geral de Jersey, William Bailache. Ele reiterou que seu esforço era o de “manter a reputação internacional das Ilhas Jersey”; “honrar os acordos de Jersey com o Fundo Monetário Internacional” (no combate à prática de lavagem de dinheiro); e “não gerar impacto adverso nos que promovem a indústria de serviços financeiros na ilha nem na confiança dos clientes desses serviços”. Os juízes que participaram da audiência em que foi feito o acordo de abertura de sigilo, na última quinta-feira, foram Michael Hellof, John Nutting e James McNeill. Também na quinta, advogados das empresas ligadas a Paulo Maluf, Sun Diamond Limited, Kildare Finance Limited e Macdoel Investiment Limited, tentaram obter da corte de Jersey revisão judicial do caso e ausência de mérito na causa (“meritless”). O caso foi manchete no final de semana, em Jersey, do jornal Jersey Evening Post. Para recuperar os cerca de 300 milhões de dólares que acredita terem sido desviados de seus cofres por Paulo Maluf, a prefeitura municipal de São Paulo contratou no ano passado o escritório Lawrence Graham, de Londres. O paraíso fiscal das Ilhas Jersey fica sob a jurisdição britânica.

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