22/10/2002 09h34 – Atualizado em 22/10/2002 09h34
RIO – O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, mandou investigar a suspeita de que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, preso no Batalhão de Choque da PM, no Centro, estaria usando um aparelho Nextel para se comunicar com advogados e comparsas. O aparelho pode ser utilizado como rádio ou celular. Como rádio, não pode ser rastreado pela polícia.
Segundo fontes da carceragem Ponto Zero da Polinter, Beira-Mar conversou com o advogado Paulo Roberto Pedrini Cuzzuol, que está preso naquela unidade. Num dos diálogos, o advogado teria se recusado a sintonizar em seu aparelho a faixa do Nextel que também estaria sendo usado por Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado de matar o jornalista Tim Lopes. Elias também está preso no batalhão.
- Por causa disso estou preso – teria comentado Paulo Cuzzuol com Fernandinho Beira-Mar, explicando por que não queria falar com Elias. Segundo a polícia, o advogado cedeu um Nextel a Elias quando ele estava foragido.
Ao saber da denúncia, na tarde desta segunda-feira, Zaqueu pediu ao comando da PM que determinasse uma revista nas celas. Além de Beira-Mar e Elias, outros cinco traficantes estão no quartel da PM. Para Zaqueu, é muito difícil que os presos estejam com aparelhos Nextel ou qualquer outro tipo de telefone. O chefe de Polícia Civil admitiu, porém, que Cuzzuol possa ter à sua disposição um aparelho Nextel.
- Por ser prisão especial, há uma cultura de que lá se pode ter privilégios – disse.
A Corregedoria Geral Unificada já está investigando a denúncia de que Beira-Mar estaria usando um celular alugado de um policial militar para se comunicar. Segundo fontes da Coordenadoria de Polícia Especializada, o telefone seria de PMs que respondem a processos criminais e também estão presos no batalhão. Os telefonemas aconteceriam apenas nos fins de semana.
Fonte: Jornal O Globo






