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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Termina rebelião na casa de custódia em Bangu

23/10/2002 11h06 – Atualizado em 23/10/2002 11h06

RIO – Depois de quase 12 horas, chega ao fim a rebelião na Casa de Custódia Jorge Santana, no Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste do Rio. Os cerca de 500 presos amotinados desde o fim da noite de ontem libertaram os dois sargentos que foram mantidos reféns depois que os negociadores permitiram a entrada da imprensa na unidade. De acordo com o comandante-geral da PM, o coronel Francisco Braz, as negociações foram tranqüilas, não houve quebra-quebra e os reféns foram libertados sem ferimentos.

O comandante da PM acompanha a vistoria nas galerias da Casa de Custódia. Foram encontradas, até agora, uma arma verdadeira e duas réplicas.

Os presos rebelados leram uma lista com 10 reivindicações. Segundo eles, a primeira exigência e principal motivo da rebelião, é o desrespeito com as mulheres dos detentos, que ao serem revistadas são humilhadas pelos policiais. De acordo com os rebelados, durante a visita de ontem, enquanto as mulheres estavam despidas, um policial entrou na sala e viu as visitantes nuas.

Entre outras coisas, eles pediam visitas todos os fins de semana, alimentação de melhor qualidade e tratamento médico adequado porque muitos dos detentos têm doenças infecto-contagiosas.

Segundo o Major Dayzer Corpas, comandante do policiamento externo do Complexo Penitenciário de Bangu, eles também reivindicavam que os internos já condenados fossem encaminhados da casa de custódia para outros presídios uma vez que eles já foram julgados.

Eles terminaram a leitura exigindo o fim da tortura psicológica de agentes do Desipe, que, de acordo com o manifesto, deixam os presos por uma ou duas hroas no sol antes de levá-los ao Fórum para prestar depoimento.

As negociações para o fim do motim foram retomadas esta manhã por dois majores do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e foram acompanhadas pelo tenente-coronel Aluísio Guedes, coordenador de Gerenciamento de Contingências da Secretaria de Segurança Pública. Uma representante da ONG Conselho da Comunidade foi acionada pela Secretaria de Segurança Pública para participar das negociações, atendendo assim a uma das outras exigências dos presos. Eles exigiam também a transferência de internos da Casa de Custódia para outras unidades.

Desde o final da noite de ontem, os detentos, que ocuparam o telhado da unidade, mantinham um sargento e um soldado da Polícia Militar reféns. Segundo a polícia, os distúrbios começaram durante uma tentativa de fuga. A guarda penitenciária pediu ajuda à polícia. Policiais do 14º Batalhão (Bangu) estão reforçando o policiamento no local. O tenente-coronel Aluísio Guedes afirmou que não há superlotação. Segundo ele, a Casa de Custódia tem capacidade para mais de 500 presos e abriga, no momento, 496.

O motim aconteceu uma semana depois de uma tentativa de invasão de Bangu III terminar em rebelião e numa série de atentados. Armados com pistolas, fuzis e até granadas, os detentos mantiveram dois agentes penitenciários como reféns.

Um grupo de bandidos, com fuzis, usou um depósito de lixo nos fundos do complexo penitenciário para tentar invadir o presídio. O objetivo era resgatar dois traficantes: Isaías do Borel e Aldair da Mangueira. Policiais do 14º BPM (Bangu) trocaram tiros com o bando, que escapou. Logo depois da tentativa de resgate, bandidos armados atacaram a tiros o Palácio Guanabara — sede do governo estadual — patrulhas das polícias civil e militar, além de uma delegacia. Uma granada foi jogada na calçada da entrada principal do Shopping Rio Sul, em Botafogo.

Fonte: Jornal O Globo / TV Globo / CBN / Globo Online

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