04/11/2002 15h15 – Atualizado em 04/11/2002 15h15
Os países árabes temem que o premiê israelense, Ariel Sharon, forme uma aliança governamental com a ultradireita, o que pode dar lugar ao governo “mais extremista” da história de Israel.
A maioria dos países árabes não reagiu oficialmente à situação política em Israel, onde Sharon tenta incluir a extrema-direita em seu governo, após a renúncia quarta-feira (30) dos ministros do Partido Trabalhista.
No entanto, a imprensa de Egito e Jordânia, os únicos países árabes vinculados por tratados de paz ao Estado de Israel, criticaram duramente o movimento à direita do governo israelense.
Hoje, Sharon analisou as condições apresentadas pelo ex-premiê Benyamin Netanyahu para aceitar a pasta das relações exteriores.
Adversário de Sharon no Likud (partido de direita israelense), Netanyahu não cessa de acusar o premiê de manter uma atitude branda frente aos palestinos.
Além do mais, alguns dos políticos que devem se ligar ao novo governo apóiam a expulsão do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Iasser Arafat, e outros querem o “transferência” de todos os palestinos aos países árabes vizinhos.
“Todos os indícios demonstram que a próxima coalizão dirigida por Sharon será a mais extremista e agressiva da história do Estado de Israel”, escreve o jornal governamental egípcio Al Ahram.
“O novo governo israelense representa um perigo para a estabilidade e a paz no Oriente Médio”, adverte o jornal.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, afirmou hoje que a posição de Israel quanto aos palestinos não evoluirá com este novo governo, frisando que era necessário uma mudança de “mentalidade” israelense para solucionar o conflito.
Mussa referiu-se às declarações de Netanyahu, rejeitando a criação de um Estado palestino, e afirmou que essa postura “é a posição israelense conhecida que o governo anterior tentava ocultar” e que “o novo governo não poderá esconder”.
Por sua vez, a imprensa jordaniana advertiu contra um novo governo israelense dominado “pela histeria da direita extremista”.
“Os partidários do document.write Chr(39)transferênciadocument.write Chr(39) e do document.write Chr(39)Grande Israeldocument.write Chr(39) têm agora a última palavra na hora da tomada de decisões”, escreve o jornal semigovernamental Al Dustur, com a manchete: “A histeria do extremismo invade Israel”.
No Líbano, o jornal em língua francesa “Ldocument.write Chr(39)Orient-Le Jour” afirmou que a aceitação sob condições de Benyamin Netanyahu, “grande adversário de Ariel Sharon para a direção do Likud, é uma perspectiva que colocaria à frente de Israel uma dupla preocupante para o processo de paz”.
Fonte: France Presse





