17/12/2002 10h57 – Atualizado em 17/12/2002 10h57
CARACAS – As esperanças da oposição venezuelana de que os militares desobedeçam ao presidente Hugo Chávez se desvaneceram depois que o comandante do Exército, general Julio García Montoya, manifestou apoio ao chefe de Estado.
Em sua mensagem ao país, García Montoya criticou a greve geral organizada pela oposição, classificando-a de um ato de “irresponsabilidade social e política”.
O general afirmou, também, que a instituição militar está disposta a impedir que prospere “essa aposta no colapso econômico e social da nação”.
Já em Washington, reunidos na noite de segunda-feira, os membros do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovaram uma resolução sobre a situação da Venezuela, manifestando seu respaldo à instituição democrática e à gestão do secretário-geral César Gaviria na facilitação do diálogo entre as partes.
O pronunciamento, divulgado após quase 30 horas de sessões ao longo de três dias, admite a possibilidade de abertura de outros canais no sistema interamericano para lidar com a crise, como uma reunião de chanceleres.
O embaixador da Venezuela, Jorge Valero, destacou o fato de que a OEA não saiu dividida do debate.
“Alcançamos consenso sobre a forma de nos aproximarmos da verdade”, disse. “Esse foro deu nova mostra de grandeza com um debate e uma conclusão histórica”.
Pedro Nikken, membro da Coordenação Democrática, que agrupa as frentes de oposição na Venezuela, disse que estava satisfeito com a resolução e que daqui para frente ficará mais intensa a busca para encontrar “soluções para a crise política”.
A resolução rechaça categoricamente qualquer tentativa de golpe de Estado ou de alteração da ordem constitucional.
O documento respalda ainda as gestões de Gaviria na facilitação do diálogo entre o governo e a Coordenação Democrática e pede às partes que negociem de boa fé para alcançar uma “solução constitucional, democrática, pacífica e eleitoral”.
Na segunda-feira, a oposição estendeu pelo décimo sexto dia a “paralisação cívica” pela renúncia do presidente Chávez e a convocação imediata de eleições.
Carlos Ortega, o presidente da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), uma das organizações que lideram o protesto, disse que “a paralisação cívica nacional continua com força e combatividade”.
A greve geral, iniciada em 2 de dezembro, praticamente imobilizou a indústria petrolífera do quinto maior exportador de óleo cru do mundo, acentuando a alta do preço do produto no mercado internacional.
Fonte: CNN



