18/12/2002 10h39 – Atualizado em 18/12/2002 10h39
A crise do setor primário, advinda da globalização acoplada à brusca estabilização, como decorrência, ainda, sufocada pela recessão, tudo isso aliado à falta de Política Agrícola, obriga o homem do campo a sair com urgência, na busca de alternativas para sobrevivência. Por outro lado, como se sabe, é a agropecuária uma atividade de risco, vulnerável as adversidades climáticas e, que sofre as constantes oscilações de mercado, fatores esses que, independente da situação conjuntural vivenciada, convivem permanentemente com o seu processo produtivo.
A falta de apoio e incentivos oficiais ao pecuarista têm gerado no campo, baixos níveis de utilização de insumos, de incrementos econômicos, de produtividade, de investimentos de capital e de rendimento de mão-de-obra, além de estarem conduzindo esse produtor rural a uma terrível descapitalização e a um enorme grau de endividamento. Esse novo quadro do cenário rural brasileiro obriga-nos a algumas reflexões, especialmente relacionadas com a pecuária, como a globalização exige profissionalização dos custos e a melhoria da qualidade do produto. O pecuarista deve se adaptar a essa nova situação. Para tal, deve tornar-se competitivo, ser criativo, ter eficiência e produtividade. Quem não tiver essas características sucumbirá e engrossará o êxodo rural. Esse novo quadro fará que, permaneça no campo, apenas aquele que souber se adequar a esses novos tempos, tiver condições de reciclar e modificar o processo produtivo, repensar o tipo de exploração, e sobretudo a maneira de administrar ou gerenciar seu negócio, e que tenha a coragem de intensificar e diversificar o processo de exploração rural.
Quem não se adequar aos desafios desses novos e difíceis tempos, se já não sucumbiu como pecuarista, desaparecerá bem ligeiro do cenário rural. Tenho constatado, com tristeza, que já se vê antigos e tradicionais pecuaristas alijados do campo e vivendo, hoje, na cidade, empobrecidos e desvinculados de sua histórica atividade produtiva. Isso é exatamente doloroso, mas é o que essa nova realidade está provocando, principalmente para aqueles que não estão suficientemente preparados para enfrentá-la. Se não despertarmos logo, para o enfrentamento, dessa nova conjuntura que o mundo de hoje pôs ao nosso lado, não haverá sobrevivência digna no campo, especialmente na atividade pecuária. Agora, esses desafios não serão só vencidos com a vontade e capacidade criativa do depauperado homem do campo. Tem de haver apoio financeiro para o desencadeamento dessas novas alternativas de produção. Esse suporte financeiro tem de advir do governo. Parece que surge, no momento, uma luz no fim do túnel, com o aceno governamental com uma injeção de recursos, embora, ainda, pequena, para a pecuária. Sem dúvida, esse socorro emergencial que é chegado, poderá, ainda, em tempo, salvar, em parte, a empobrecida pecuária.
Agora, fica, aqui, como conclusão e alerta, se esses recursos tomados não forem aplicados com a devida competência, adequada capacidade administrativa e criatividade necessária, buscando a racionalização do processo produtivo pecuário e, forem utilizados dentro da “mesmice tradicional vigente”, nada será modificado, pelo contrário, servirão, desgraçadamente, para acelerar o processo de liquidação financeira de seu tomador.
Fonte: O Estado de São Paulo



