18/12/2002 10h48 – Atualizado em 18/12/2002 10h48
O presidente indicado do Banco Central, Henrique Meirelles, prometeu nesta terça-feira, durante sabatina no Senado, dar seqüência ao regime de taxas de inflação, mantendo assim a política atualmente em vigor na instituição comandada por Armínio Fraga. “O regime de metas tem permitido a redução dos choques nos preços e reduzido ao máximo a arbitrariedade das decisões da autoridade monetária. É o que fazem os Bancos Centrais de 15 países, como Nova Zelândia, Austrália e Chile”, justificou Meirelles.
Segundo Meirelles, o próximo governo já reiterou o compromisso de controle da inflação como uma das formas de dar estabilidade a economia e gerar credibilidade externa. “Não há exemplo de países que tenham experimentado ciclos prolongados de crescimento econômico com inflação elevada. Baixa inflação é condição necessária para o crescimento, ainda que a história recente do Brasil evidencie que não é suficiente.” Ele afirmou que na sua gestão, caso seja aprovado pelo Senado, o regime de câmbio flutuante será mantido com intervenções em casos de falta de liquidez. “O câmbio flutuante mostra-se adequado desde que livre de intervenções recorrentes. Elas só devem ocorrer na falta de liquidez.”
Copom – Meirelles, defendeu uma política de transparência do BC com o mercado, por meio da manutenção do Comitê de Política Monetária (Copom). “Acreditamos na manutenção do sistema de Comitê de Política Monetária com metas transparentes e com divulgação de atas. Tudo isso faz parte de um compromisso muito sério porque mostra que é um Banco Central que tem um compromisso com as metas de inflação”, afirmou. O Copom reúne diretores do Banco Central em encontros mensais que servem para determinar o nível adequado da taxa de juros no país.
De acordo com ele, a taxa de juros é elevada por uma longa história de alta inflação e fragilidade fiscal, e a sua redução é resultado de uma política consistente que a sua gestão deverá perseguir. Meirelles também defendeu a geração do superávit primário como forma de equilibrar a relação dívida Produto Interno Bruto (PIB) e a modernização das áreas de supervisão e normas do BC. “Nosso compromisso é com a manutenção de uma fiscalização rigorosa para não trazer riscos ao sistema financeiro.” Ele ainda defendeu uma redução do spread bancário como forma de baratear o crédito ao consumidor.
Autonomia – O governo Luiz Inácio Lula da Silva irá implementar mandatos com prazo definido para a diretoria do Banco Central. “Gostaria (…) de fazer um anúncio: que o projeto do presidente (Lula) e do (futuro) ministro (da Fazenda, Antônio) Palocci prevê mandatos com prazo definido para a diretoria do BC, dando aos seus dirigentes autonomia para executar os seus mandatos”, disse Meirelles.
Meirelles defendeu também que o único mandato do Banco Central deve ser o da estabilidade dos preços e que o regime de metas de inflação é o mais adequado para o país. “No que diz respeito ao Banco Central, se tiver a honra de ser aprovado por vossas excelências, garanto que suas ações serão sempre técnicas, não haverá surpresas, não se implementarão medidas de pretensa criatividade sobretudo no combate à inflação”, afirmou Meirelles.
Passado – Antes mesmo que Meirelles pudesse ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, no entanto, o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), levantou uma questão de ordem com base nas conclusões da Comissão de Fiscalização do Banco Central, sobre irregularidades cometidas pelo BankBoston no iníco de 1999 – época da desvalorização do real, quando o banco comprou moeda norte-americana pouco antes do governo anunciar mudanças no câmbio. Paes de Barros ainda tentou adiar a sabatina por 24 horas para que os membros da CAE pudessem se inteirar de documentos da CPI do bancos que mencionam práticas irregulares do BankBoston.
Meirelles afirmou que, nos anos da abertura dos processos contra o BankBoston, ele não era responsável pelas operações de câmbio. “As operações de câmbio são autônomas, e durante este período, tive conduta irreparável e irrepreensível pelo Banco Central”.
Fonte : INVERTIA




